O Lançamento da ação, que compõe o Centro de Difusão e Realizações Literárias (CDRL) do SESC Alagoas, será dia 24/07/2009, a partir das 19h30, no SESC Centro (R. Barão de Alagoas, 229, Centro. Contato: 3326-3133).
Quando atiramos uma pedra em um rio, ela causa ondulações circulares à água, que tem alcance variável, dependendo da “força” empregada.
Da mesma forma são as resultantes de ações em nossa vida: lançamos palavras e/ou sentimentos (como pedras), que atingem o alvo (caem no rio) e, dessa combinação, surgem os conflitos (ondulações). Isso não ocorre aleatoriamente.
Alguém me disse que – com relação a seus sentimentos – não sabia se a culpa era do atirador, da pedra ou do rio. Que se culpou por muito tempo enquanto atirador para, depois, decidir-se por acusar o seu alvo. Havia suas razões. Não me cabe discutir aqui.
Refleti sobre o meu caso e até achei que a culpa era do atirador ou mesmo da pedra, nunca do rio. Afinal, era apenas um alvo. Sem solução até hoje, apenas “rio” (com o perdão do “trocadilho”). Não percebi que as respostas mudam de um caso para outro; de tempos em tempos. A todo momento.
Certa vez, havia “cumplicidade” entre as partes. Uma espécie de ritual, onde cada lado cumpria seu papel, sua razão de ser. Mas, de repente, sem mais nem menos, o “rio-alvo” secou e virou deserto. A “pedra-sentimento”, agora, era só mais uma na multidão que lotava o fundo do antigo rio. Tornou-se (apenas) – como diria o poeta – “uma pedra no meio do caminho”. Para mim mesmo, um reles “atirador-apaixonado”.
Aprendi. A duras penas. Com o tempo. Não há como aprender de outra forma, mesmo quando alguém lhe explica tudo. É preciso ter cuidado com o que se lança à sorte do destino, porque pode se tornar um obstáculo futuro. Um deserto. E o “alvo” (inicial) pode nem mais existir. Será sempre você. Só e somente só: você. Especial e único.
O meu maior receio é viver eternamente nisso. Num eterno “gostar-desgotar-regostar” e, no fim, nunca ser/estar (com) alguém.
A frase é velha conhecida do (domínio) público. Seu uso, é irrestrito e, por vezes, funciona.
Hoje, eu a utilizo para o fenômeno post mortem Michael Jackson (1958-2009). Ok, ok, ok... Sei que todo mundo está falando nele, mas... não posso deixar de registrar – aqui – uma (curiosa) realidade local.
Não foi apenas o comércio formal de CDs/DVDs que se beneficiou da fatalidade para vender álbuns do astro pop. No Centro de Maceió/AL, os “comerciantes de mídia genérica” tocam e comercializam, em barracas/carrinhos no meio da rua, a MPPB (Música Pra Pular Brasileira) – sonoridade bizarra que a cultura de massa insiste (e consegue) chamar de “música” – forçando-nos a escutar acordes malditos, solos apavorantes e refrões hediondos. Pois não é que após a morte do cantor americano, passou-se a tocar algo que parecia impossível em nossas manhãs e tardes?
“Ben”, “Thriller”, “Billie Jean”, “Human Nature” et all tocam diariamente, insistentemente, desde 26 de junho – meio que desinfetando nosso cotidiano e aliviando a aflição de pessoas como eu que não podem pedir para os ambulantes desligarem seus equipamentos de som (quase trios elétricos), visto que a rua é pública...
Agora, “graças” (ops!) “devido” ao falecimento do cinquentão com síndrome de Peter Pan, eu posso andar na rua mais tranquilo, como se estivesse em algum lugar (um pouco mais) civilizado, por vezes cultural, como um verdadeiro centro de cidade que se preze deveria ser.
Pena que – tenho certeza – daqui há algum tempo, tudo isso desaparecerá, dando lugar ao TOP TREVAS de sempre. Isso me lembra um outro ditado:
“O que é bom, dura pouco.”
A menos que, por alguma "maldição", essa história de morrer – e vender mais e mais discos – vire moda e tenhamos uma maratona multimídia no Céu e na Terra. Já pensou? Ouvir Madonna, Elton John, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque (e tantos outros) no meio da rua? Não que eu deseje a morte de ninguém, mas... é fato:
Sabe por que as estrelas têm seus brilhos tão presentes aos nossos olhos, mesmo quando não existem mais?
Porque não é preciso ESTAR para SER. Somos o que somos na vida dos outros, mesmo distantes.
Assim como as estrelas, só nos RESTA ‘brilhar’ os anos-luz que nos RESTAM. Sim, a REPETIÇÃO é algo proposital. Como na vida. Bem ou mal vivida. Sentida ou não sentida. Ferida ou não ferida. Enfim, no seu/meu fim. Bom ou ruim. Assim, assim...
Não há luz de estrelas sem escuridão. E são trevas que fazem o meu coração. Feito de sangue e músculos, esse órgão não guarda (re)sentimentos. Mas (re)lembra de certos momentos...
Tempos-luz de bem-estar. De não estar. De se encontrar. De se evitar.
Ausência é conseqüência? Coincidência. Abstrata. Que retrata e maltrata a todos. Eu, você... Todo mundo. Todo o mundo. O mundo. Bem fundo... Hora, minuto e segundo...
Boa noite! - pra quem é de boa noite...
Alegria! - pra quem é de alegria...
Vou agora apresentar um trabalho
Que fala “da criança e da tecnologia”.
E se chama “UMA HARMONIA FANTÁSTICA:
CRIANÇA E TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO.”
O que se pretende, nesse momento,
Não é deixar ninguém sonolento,
Mas, apenas, facilitar a compreensão.
Iolanda Cortelazzo, disse que tecnologia:
“É aplicação de um conhecimento,
De um ‘saber como fazer’...”
(E disse muito mais!)
“De métodos e materiais
Para a solução de um problema.”
Ou seja, professor: como mestre do saber,
Podemos, ainda mais, surpreender
E evitar qualquer dilema.
Na Educação, a “tecnologia”
Tem muita, mas muita importância!
Pode ser um grande recurso educacional,
A “informática” na infância.
É o momento certo de ensinar
“Teoria” e “prática” pra criança
Onde o papel do “educador”,
Também chamado de “professor”,
É combater a ignorância.
Mas a aplicação da tecnologia
Na educação, não é brincadeira!
É preciso implantar novas tecnologias
Pra não fazer nenhuma besteira
No processo de aprendizagem,
Não dá pra fazer qualquer “fuleragem”!
Ao implantar um projeto pedagógico,
Para a utilização dos recursos do computador,
Ganha todo mundo: a escola, o aluno e o professor!
Mas é preciso que o educador
Seja o primeiro a se “informar”
Porque o problema não é dinheiro
É a vontade de “se ensinar”.
Minha família toda quase sempre me dizia:
“Como pode, um peixe vivo, viver fora da água fria?”
Então, como pode, um professor, ficar longe da tecnologia?
Saber o que fazer com a informática pode representar
A diferença no futuro dos alunos que vamos ensinar.
(Guilherme Ramos, 18/06/2009, 13h40)
* * *
Poesia popular livremente baseada na ideia original da minha amiga Jadir Moura. Ela me propôs o desafio (tema) e... taí! Rssss... Beijão!
Hoje, os contos de fada enfrentam desenhos animados.
Na TV, Power Ranger; na sala, os livros guardados.
O pai mais esperto, lê para o filho um pouco.
Mas assiste a TV ao seu lado, não deixa ele solto.
Se a criança, com os pais, assiste à TV e forma opinião...
A criança, sem pais, assistindo à TV pode ser alienação!
Ontem, a rua, era o auge; hoje, sem ela, é só TV.
A Internet virou a rua... e o Orkut atrai até você!
O shopping virou vitrine, o que é quase um crime,
Onde se desfila, pra se “amostrar”...
Tem de tudo: emo, nerd, gótico ou lolita – é de lascar!
No fim de tudo, a “panelinha” só mudou de época e de lugar!
Basta imaginar a turma toda rindo, zoando “lindo”
E nem se a gente quiser... isso vai mudar.
Numa escola qualquer professor vira família inteira.
Com sua fama de mau, substitui o pai que “bobeia”.
A escola vira uma rua que, sem TV, nem sempre se tem.
E sem privacidade procuram, no “mestre”, algo além.
O meninO vê na professorA a imagem do “saber”...
Então, deixa isso pras meninAS, não quer mais aprender.
Utopia, quem diria, pode mesmo se realizar?
Uma escola desenvolvendo algo difícil de acreditar:
Sem nenhum receio, não mostra o que é certo,
Nem também errado, quer questionar...
No processo, não é preciso saber onde tudo isso vai dar.
O fim dele, “o olhar crítico” é o que se espera alcançar.
Vamos todos ensinar de uma nova forma,
Que não “deforma” e os alunos no fim...
Podem voltar a sonhar!
(Guilherme Ramos, 01/06/2009, 22h10)
* * *
Paródia da música “Aquarela” (Toquinho/Vinicius de Moraes/G.Morra/M. Fabrizio) inspirada livremente no texto “Contos de Fadas em Versão Digital”, de Mário Corso e Diana Lichtenstein Corso.
Estava a toa na vida, quando a Lari (Larissa Fontes, blog “Do Lado de Dentro”) me chamou:
“Te deixei um selo lá no meu lado de dentro. :)”
U-huuuu! Ganhei meu primeiro selo! Rsss... Então, estou fazendo a minha parte! Curtam essa ideia. É uma forma não só de homenagear nossos amigos e suas criações/opiniões, mas, também, de nos permitir voltar a pensar em nossos sonhos... Sabia que – por um momento – eu demorei a listá-los? E isso me preocupou. Será que a realidade-rotina está me causando amnésia lúdico-seletiva? Não, não e não! Não posso permitir isso!
Obrigado, Lari, por me fazer lembrar que (ainda) tenho (mais que oito) sonhos para realizar...
Vamos nessa!
Regras do jogo:
- A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
- É necessário que se faça uma postagem, relacionando essas oito coisas e explicando as regras do jogo (como estou fazendo aqui).
- É preciso convidar oito parceiros de blogs.
- E, finalizando, devemos deixar um “comentário” para quem nos convidou.
(Simples assim! Rssss...)
Então, vamos aos “MEUS DESEJOS” (que não estão em ordem de importância, claro...):
1. Viajar para Machu Picchu e Europa;
2. Montar minha adaptação teatral do livro “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie (1890-1976);
6. Ter meus romances vendidos em todo o mundo – ficando na lista dos maiores best sellers da história – superando Dan Brown, porque minhas histórias são bem melhores! (Óia! Rsss...);
7. Ter meus textos teatrais, livros etc. montados/adaptados para a TV e para o cinema! (Huahuahuahuahuahua...). Meu romance “Samsara: Os Filhos do Sempre” é perfeito para uma série da HBO! (Rssss...) Ah! E ela será, claro, o maior recorde de audiência de todos os tempos! (Kkkkkkkkkkkkkk...),
8. Independente de qualquer coisa, quero deixar um “legado” para a humanidade.
E, agora, apresento os “MEUS INDICADOS” (idem aos desejos...):
É isso aí. Eu fiz minha parte. Faça a sua. Lembre aos seus amigos que eles (ainda) tem sonhos... Quem sabe essa iniciativa não os ajude a “realiza-los”?
Eu!
Prisioneiro meu
Descobri no brêu
Uma constelação...
Céus!
Conheci os céus
Pelos olhos seus
Véu de contemplação...
Deus!
Condenado eu fui
A forjar o amor
No aço do rancor
E a transpor as leis
Mesquinhas dos mortais...
Vou!
Entre a redenção
E o esplendor
De por você viver...
Sim!
Quis sair de mim
Esquecer quem sou
E respirar por ti
E assim transpor as leis
Mesquinhas dos mortais...
Agoniza virgem Fênix
O amor!
Entre cinzas arco-íris
Esplendor!
Por viver às juras
De satisfazer o ego mortal...
Coisa pequenina
Centelha divina
Renasceu das cinzas
Onde foi ruína
Pássaro ferido
Hoje é paraíso...
Luz da minha vida
Pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas...
E eu!
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção...
O amor!
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção...
Quando o frio vem
Nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais
Esplêndida emoção
O amor!...
* * *
Poesia. Música. Poesia musicada. Música poética. Enfim: arte. É uma questão de nomeclatura. O efeito que as palavras (cantadas ou recitadas) causam nas pessoas é o que importa. Então, importe-se. Faz bem ao coração. Ah! Não sou um fã de J.V. Mas de uma coisa, tenho certeza: o cara é um poeta. E pronto. Que mal há em admitir isso? Confesso que gostaria de ter escrito essa letra. Mas, enquanto não chego a um conteúdo desses, vou ensaiando uns outros versos por aqui. Rssss...
É isso aí! Estou apoiando uma iniciativa nacional em prol do RPG (Role Playing Game). Quer saber mais? Clique no banner acima ou aqui e entenda um pouco mais sobre a iniciativa! Comentem e terei o maior prazer em explicar o que é esse jogo. Por enquanto, segue parte de um texto, que esclarece bem as coisas...
Abração!
VAMOS JOGAR RPG?
(Por Thiago Diniz. O texto completo pode ser lido clicando aqui)
Como Explicar o que é RPG para alguém que nunca ouviu falar do jogo?
Ok, isto não é um manual, mas um dos intuitos dessa campanha (e, creio eu, todas as campanhas de RPG precisariam ter um espaço para isso) é mostrar o jogo para quem nunca viu ou jogou. Uma das dificuldades provém de preconceitos bobos (não vou explicar o que é RPG pra minha mãe!) ou então de uma má vontade bem grande por parte de muitos jogadores.
Se o RPG é um hobby fácil, saudável e divertido como nós todos pregamos, porque raios é tão dificil de explicar? Não é dificil, nós é que, geralmente, não queremos explicar. Então, ai vai:
O RPG é um jogo de interpretação, ou seja, você joga fingindo ser uma outra pessoa, como uma brincadeira de mocinho e bandido. A diferença é que, no RPG existem regras. Os livros que nós usamos, contém regras pra nós usarmos nos jogos. Essas regras nos ajudam a fingir ser nossos personagens no jogo. Essas regras, nós chamamos de "sistema". Alguns desses livros também possuem histórias pra usarmos pra jogar.
Além disso, o jogo não tem um vencedor. A ideia principal dele é apenas passar o tempo e se divertir. Não é preciso que ninguém vença o jogo pra ele ser divertido. Para que o jogo fique divertido, nós usamos regrinhas e fichas, para que ele tenha alguma coisa de "jogo".
Um dos jogadores é o Mestre, esse jogador é mais experiente e ele é responsável por conduzir o jogo. Ele é como um diretor. Ele fala pros jogadores como é o mundo que eles vão jogar com seus personagens e interpreta os vilões e todo o resto. Tudo no RPG é pura fantasia, invenção e brincadeira. Nada dele deve ser levado a sério.
Esse resumo é suficiente pra fazer a maioria das pessoas compreenderem o que é o RPG, bem superficialmente. Se a pessoa quiser jogar ou experimentar, convide-a para assistir uma partida, ou apresente-a a algum sistema.
Jogar RPG é fazer amigos
Insisto nessa frase. Não há melhor do que ela. Tudo que estamos, quase "pregando" nessa campanha é isto. Jogar RPG é um modo muito divertido de fazer amizades. Então, pense bem, porque torcer o nariz ou se recusar a explicar ou ensinar alguém a jogar RPG? A "classe" dos RPgistas sempre foi considerada desunida, temos revistas, sites, editoras e outros que apoiam o hobby e continuamos sendo considerados uma classe desunida.
Porque não tentar, nessa campanha, mudar esse quadro?
"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche." (Martha Medeiros)
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." (Clarice Lispector)
"Saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar." (Rubem Alves)
"Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida..." (Pablo Neruda)
"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue." (Adriana Falcão)
"Saudade é ser, depois de ter." (Guimarães Rosa)
"Saudade é estar na presença de tua ausência." (Hilda Richter)
"Saudade é o que fica... de quem não fica." (Autor Desconhecido)
Maio teve um gosto amargo de separação.
Um jeito meio assim, assim, sem jeito.
(Alguma coisa não funcionou direito...)
E terminou em mais que chuva, raio e trovão.
Carente...
"Querente"...
Quente!
Enfim, GENTE!
Assim é VOCÊ,
Assim sou EU,
Assim somos NÓS
(Nem sempre desatáveis...)
Mas somos o que somos
E somos sempre MAIS!
Conte comigo sempre!
Deixa a tristeza para trás.
(Guilherme Ramos, 05/06/2009, 14h35)
Improviso poético para uma amiga-irmã-psicoantropóloga super-bacana chamada... Mana! Bjuxxxxxxxxxxxxxxxxx!!!!!!!!!!!!...
"Vontade é algo que dá e passa..." (dizia o incauto)
Vontade é mais: é algo que se disfarça...
Vontade é algo que diz: "vá! e faça!" (e diz bem alto!)
Vontade, enfim (pra mim) sai de casa e vai à praça!
Não importa que a tenham demolido…
A gente continua morando na velha casa em que nasceu.
(Mário Quintana)
Hoje, por um acaso, estive na rua em que morei por mais de 20, 30 anos. Num diálogo simples, sem muita pretensão, vi-me observando algumas residências. Eram poucas, já que, a maioria, tornou-se edificações comerciais, resultantes do perfil do bairro (Levada, Maceió/AL): depósitos e mais depósitos.
Estava eu em frente à minha (antiga) casa (Rua Conselheiro João Alfredo, também conhecida como “Rua da Vitória”. Ambas com o “nº 62” e o “CEP 57.017-080”. Podem localizar no Google Maps). Tudo mudado. A fachada já não é a mesma. Sedia (hoje) uma companhia de teatro. Ao redor, muitas (outras) mudanças. Apenas seis casas continuavam (aparentemente) as mesmas: três com moradores, três abandonadas. Seus proprietários haviam percebido que o bairro deixara de ser residencial, transformara-se em comercial e deram o fora. Assim como eu.
Mas “uma” casa me chamara a atenção. Ficava quase em frente a minha (antiga) casa. Acho que o número era 68. Lembro-me, quando eu morava naquela rua, ela pertencia a duas senhoras, com sua filha. Eram tempos interessantes. As “proprietárias” tinham muito zelo com a fachada. Sempre que as festas populares se aproximavam, novas cores apareciam, novos enfeites surgiam (bandeirinhas de São João, a estrela-guia do Natal, entre tantas que nem me lembro).
Mas hoje, com o falecimento delas, muita coisa mudou. Como era de se esperar, a herdeira vendeu o lugar e procurou algo melhor pra criar seu filho (assim como tantas outras pessoas.). Não tenho o que reclamar. Também saí da rua e fui pra outro canto.
Meus motivos foram outros. Apenas saí. Mas voltava sempre, já que fazia parte da Cia. de teatro. E, nessa noite (26/05/2009), estava olhando inocentemente a rua e refleti: seriam as pessoas como as casas que abandonamos?
Por que penso isso? Vamos aos fatos. Ao olhar as fachadas, percebi o abandono que lhes restaram. Não seriam, assim, as pessoas? Explico. Quando vemos fachadas abandonadas, agredidas pelas intempéries, não poderíamos comparar com os aspectos das pessoas que nos rodeiam? Vou além: fachadas a parte, o que restam dessas residências? Mesmo as fachadas “acabadas” (como qualquer pessoa com a idade), o que escondem “dentro” de si?
Arquitetonicamente, lembro de uma sala de estar, luxuosamente decorada com motivos internacionais – as antigas donas viajaram o mundo inteiro, seguida por um corredor (comum às casas coloniais), portas à direita (quartos), outro estar (com um piano de armário que até hoje me arrependo de não ter comprado – pois o mesmo foi destruído por cupins e jogado fora), cozinha, copa, serviço e outras dependências comuns à casa da mesma época.
Hoje, sem paredes internas, é apenas anexo em um depósito de um ponto comercial. Paredes de um passado glamouroso deixaram de existir. Não seriam, assim, as pessoas? Deixam-se levar (e devastar) pelo progresso-futuro-sei-lá-o-quê e destroem-se por dentro, restando apenas uma fachada?
E, essa fachada, mudada pelo tempo, vai envelhecendo, desgastando-se, destruindo-se e transformando-se em apenas mais um nada na lembrança dos outros? É isso o que queremos de nós mesmos?
A fachada ganha rachaduras, fungos, vegetação (sementes trazidas pelos pássaros, presumo) etc. e permanece – como nós, meros transeuntes – de uma história que poucos sabem. Que poucos partilhamos. Mas não queremos esquecer. E nem deveríamos.
E essa é a lição que tiro dessa noite estranha – repleta de lembranças e comparações: somos fachada que resiste ao tempo, mas esquecemos do interior? No que mudamos? No que permanecemos? No que fomos mudados? Será que ficamos iguais e deixamos o “tempo” nos preencher de poeira, mofo e sujeira? Ou será que temos alguém que se preocupou e nos visitou e limpou o interior da casa, por 30 dias, para nos conservar? Ou, ainda, fomos demolidos por alguém que nos vê apenas como “mais um negócio” e – para seu benefício próprio – nos adaptou às suas necessidades? É preciso refletir.
Hoje eu vejo a casa e, ao me aproximar dela, toco sua fachada. Tento sentir o que minhas lembranças insistem em deixar em minha mente: uma casa; um passado; um presente mudado. E me pergunto: estaria EU assim? Ou pior? Apenas lágrimas (sutis, porque não estou para chorar hoje) me respondem às perguntas.
E me pergunto: que perguntas? Terei eu feito alguma? Se assim fizesse (em tempo hábil) não estaria mais tranqüilo quanto aquilo tudo? Ou seria um motivo a mais para questionar mais e mais?
Acho que o amanhã tem a resposta. E ele tem nome. Guilherme. Após dormir, descansar e (tentar) ser um pouco menos passional (talvez) eu possa dar a minha contribuição ao (meu) mundo: cada pessoa é sua casa e cuida dela como pode (ou sabe). Mesmo na ignorância, ainda podemos ser sábios. Basta-nos acreditar no que pensamos; daí, fazemos. E, aí, vivemos (para sempre) a acreditar. Isso basta. A “fachada” dependerá da responsabilidade social de cada um. Quanto melhor, mais. “Tombemos” nosso patrimônio imaterial pessoal. Talvez um novo significado para IPHAN* (Instinto Pessoal de Humanidade e Autopreservação Necessária) possa ajudar. Mas, acima de tudo, é preciso viver e “deixar rolar”.
Eu estou vivendo. Tem gente que não sabe... o que está (se) fazendo.
Desejo reformas e revitalizações para todos em breve. Porque o segredo das construções está no projeto. Depois que as fundações estão no lugar, mudar é difícil. Ou caro. E (quase) ninguém está disposto a investir mais. Daí é abandono e/ou descarte.
Agora, o paralelo: comparando você a uma edificação (talvez abandonada), em qual estágio/estado você está?
Bem, de qualquer forma, boa “reforma”!
(Guilherme Ramos, 26/05/2009, 4h23. Sem – ainda – saber a resposta...)
(*) IPHAN: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Eu mudo a cada instante. E talvez esses momentos estejam aqui, neste blog. Quer me conhecer (um pouco)? Visite-o. Permita-se. Participe. Comente. Seja diferente (ou indiferente). Não importa. Hoje em dia, tudo é válido: seja no "rubor", seja no "pálido".
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