Ao vê-la, ele pensou:
- É ela!
E, sem perder tempo, aproximou-se.
- Você é o parafuso que faltava na minha cabeça!
Ela, sorrindo, respondeu:
- Ah! Então me dá uns "apertos" de vez em quando. Assim você não me perde jamais...
É. Às vezes, numa paquera, sinceridade é tudo.
Não sei se foram felizes, mas deram muitas risadas juntos depois disso. O que já é um começo...
(Guilherme Ramos, 26/01/2009, umas 23h mais ou menos...)
“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao fim.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que aconteceram conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternos meninos, adolescentes tardios, filhos culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração...
...e o desfazer-se de certas lembranças significa abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve um tempo em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa de orgulho, por incapacidade, ou por soberba mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...
E lembre-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”
* * *
(*) Bem, nesses tempos de Internet, qualquer um poderia escrever esse texto. Assim, como não tive tempo de "confirmar" se foi Pessoa mesmo que o criou, aviso: se alguém me confirmar isso ou souber o verdadeiro autor, postarei aqui. Obrigado...
Historiadores e pesquisadores divergem quando o tema é a origem da vodca. A dúvida fica sempre entre a Rússia, a Polônia, e alguns outros países do Leste Europeu, que vez ou outra surgem requerendo a autoria da bebida. O que se pode afirmar é que o nome é russo.
O real significado da palavra vodka é "água" (vodá, em russo), na forma diminutiva (vodka). Ou seja, daqui pra frente, experimente pedir uma "aguinha" ao bartender!
Segundo o dicionário: do Lat. Amores, s. m., viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; afeição; paixão; inclinação exclusiva; graça teologal.
No Novo Testamento: Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança e o Amor, estes três, mas o maior destes é o amor. (Cor 13:13)
Segundo a etimologia: os gregos possuíam três palavras para designar o amor: Eros, Philos e Ágape. Eros é o amor saudável entre duas pessoas, que justifica a vida e perpetua a raça humana. Philos é o sentimento que dedicamos aos nossos amigos. Finalmente, Ágape, que contem Eros e Philos, vai muito mais longe do fato de “gostar” de alguém. Ágape é o amor total, o amor que devora quem o experimenta. Para os católicos, este foi o amor que Jesus sentiu pela humanidade, e foi tão grande que sacudiu as estrelas e mudou o curso da história do homem. Quem conhece e experimenta Ágape, vê que nada mais neste mundo tem importância, apenas amar.
Para Oscar Wilde: A gente sempre destrói aquilo que mais ama / em campo aberto, ou numa emboscada; /alguns com a leveza do carinho / outros com a dureza da palavra; / os covardes destroem com um beijo, /os valentes, destroem com a espada.(in Balada do Carcere de Reading, 1898)
Em um sermão no final do século XIX: Derrame generosamente seu amor sobre os pobres, o que é fácil; e sobre os ricos, que desconfiam de todos, e não conseguem enxergar o amor de que tanto necessitam. E sobre seu próximo - o que é muito difícil, porque é com ele que somos mais egoístas. Ame. Jamais perca uma oportunidade de dar alegria ao próximo, porque você será o primeiro e se beneficiar disto - mesmo que ninguém saiba o que você está fazendo. O mundo à sua volta ficará mais contente, e as coisas serão muito mais fáceis para você.
Eu estou neste mundo vivendo o presente. Qualquer coisa boa que eu possa fazer, ou qualquer alegria que puder dar aos outros, por favor, digam-me. Não me deixem adiar ou esquecer, pois jamais tornarei a viver este momento novamente. ( in O Dom Supremo, Henry Drummond [ 1851-1897])
Em uma mensagem eletrônica recebida pelo autor : “enquanto guardei meu coração para mim mesma, jamais tive qualquer manhã de angústia ou noite de insônia. A partir do momento em que me apaixonei, minha vida tem sido uma seqüência de angústias, de perdas, de desencontros. Penso que, usando o amor, Deus conseguiu esconder o inferno no meio do paraíso” (C.A., 23/11/2006)
Para a ciência: no ano 2000, os pesquisadores Andreas Bartels e Semir Zeki, do University College de Londres, localizaram as áreas do cérebro ativadas pelo amor romântico, usando para isso uma série de estudantes que diziam estar perdidamente apaixonados. Em primeiro lugar, concluíram que a zona afetada pelo sentimento é muito menor que imaginavam, e são as mesmas que são ativadas por estímulos de euforia, como no uso da cocaína, por exemplo. O que levou os autores a concluírem que o amor é semelhante à manifestação de dependência física provocada por drogas.
Também usando o mesmo sistema de escanear o cérebro, a cientista Helen Fisher, da Rutgers University, conclui que três características do amor (sexo, romantismo, e dependência mútua) estimulam áreas diferentes no córtex; concluindo que podemos estar apaixonados por uma pessoa, querer fazer amor com outra, e viver com uma terceira.
Para um poeta: O amor não possui nada, e nem quer ser possuído, porque ele se basta a si mesmo. Ele irá vos fazer crescer, e depois os atirará por terra. Vos açoitará para que sintais vossa impotência, vos agitará para que saiam todas as vossas impurezas. Vos amassará para deixar-vos flexíveis.
E logo vos atirará ao fogo, para que possais vos converter no pão bendito, que será servido na festa sagrada de Deus (in O Profeta, de Khalil Gibran, [1883-1931]).
Existem pessoas especiais
(Outras, mais). E mais:
Sirva-se do meu pescoço
Para o jantar, lanche ou almoço,
Se assim você quiser.
Não irei resistir
(Talvez, no fim, sorrir)
Pra você (e com você) menina...
(...) Mulher.
Feliz "ANO TODO".
Porque apenas um ano novo não será o bastante para a felicidade que merecemos.
Vivamos (felizes), pois!
Feliz 2009!... (e 10 e 11 e 12 e...)
Por mais que alguém diga o contrário, VOCÊ É LINDA.
E não me refiro (apenas) ao rostinho, ao corpinho, à performance...
Falo da "alma", que só os mais sábios conseguem enxergar. E eu, que ainda me esforço (muito) pra ser, pelo menos, "sabido", batalho pra não perder alguém como você de vista.
"Amizade" é um negócio sério. Para mim, é o "Amor" mais sincero (arriscaria o neologismo "sinsério") que pode haver (depois do amor de mãe, claro!), pois amigos de verdade podem até discutir de uma hora pra outra, mas sempre voltarão a se falar, se forem realmente amigos. Às vezes, num simples namoro, talvez as pessoas deixem de se falar - mais simplesmente ainda - para sempre.
Sorte de quem cruzar seu caminho; sorte de quem tiver espaço em seu coração.
Então, seu sorriso será sempre necessário para a felicidade ser completa.
E os "sonhos" virarão "realidade" num piscar de olhos.
(Guilherme Ramos, há algum tempo atrás, atualizado em 09/01/2009, 14h59)
Sentir-se “apagado” das lembranças de alguém é, sem mais delongas, difícil de aceitar. Sendo um pouco egoísta, às vezes pensamos que somos tudo na vida de alguém. Como provar que não fomos? Como provar que fomos? A “quantificação do sentimento” é como um cartão de crédito: pessoal e intransferível. E, assim como o admirável objeto de plástico, se bem empregado pode ser a salvação; caso contrário... é furada. E como sair de uma dessas? Saber usar tudo com parcimônia. Não há necessidade de ultrapassarmos os “limites”, sob pena de amargurar em “juros” constantes que tornarão a dívida cada vez maior e impossível de saldar. A dívida - a vontade de estar com alguém que já não tem mais vontade de ficar conosco - pode ter fim. É só nos colocarmos no lugar do outro. Darmos um tempo. E deixar que o outro tenha seu tempo também. Cada um tem sua velocidade; seu começo, meio e fim. É sempre assim. E, assim, será sempre. Algum dia, já estivemos no lugar de quem “esquece”. Mas esquecemos isso. E só lembramos - novamente - quando somos “os esquecidos”. É hora de refletir. Rever alguns conceitos. Evoluir. Melhorar e crescer. E deixar o outro (também) viver.
Em "fases"...
Como a lua:
Minguei, sumi,
Cresci e me enchi
(De muitas coisas.)
Mas estou de volta.
Sem revolta.
Fui dar uma volta
Por mim.
E, a partir de agora,
Sem (muita) demora
Vou fazer (sempre) assim.
E quem quiser,
Seja homem ou mulher,
Pode reclamar.
Não vou achar ruim.
Mas uma coisa é certa:
A porta está sempre aberta
Para começo, meio e fim.
Em "fases", como a lua:
Cuja postura, hora é "não"
E outra hora... (pode ser) "sim".
Pudessem os poetas de outrora Galgar as nuvens como eu - agora, Veriam rimas bem mais ricas... Sonhariam com musas mais bonitas... Não parariam mais de escrever. É um momento ímpar, que "me" permito... Faz tempo (muito tempo) admito, Que não me proporciono tal lazer. Porque estar de férias, sem compromisso, E não ter vergonha de admitir isso... Só me faz gostar mais De tudo que (ainda) não fiz, Estou fazendo e (certamente) vou fazer! Bem-vindo a "você", caro amigo! E já que abandonou seu "abrigo", Está na hora de... "viver". (Boas férias... E que venha o mundo!)
(Guilherme Ramos, Rio de Janeiro, 31/05/2008, 13h - mais ou menos... Tomando um "expresso" e aguardando o vôo para Campinas.)
Há sete meses... Direto do túnel do tempo. Rssss... Uma das melhores férias da minha vida.
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.
Nos meus olhos vermelhos
Há chuva todo dia...
Resultado: desejos
Por alguém que partia.
Solitário, revejo:
Rima tosca; agonia.
Acabou-se o que outrora
Fôra só alegria
(Assim, assim)
Da noite para o dia.
(Enfim, o fim)
Acabou-se a "folia".
Surpreendendo as estatísticas convencionais e decepcionando a teoria das mulheres de que os homens não são sensíveis, registramos aqui o diálogo entre dois homens investigadores de sentimentos. Pergunta-se: qual a diferença entre o amor e a paixão?
Homem 01- O que é o amor? Quem o define? O que define a paixão?
Homem 02- Comparo o Amor (com “A” maiúsculo) com a Amizade (idem). Quer Amor mais verdadeiro que o entre amigos? Falo de amigos verdadeiros, não colegas, não conhecidos. Mas, A-m-i-g-o-s. Pode haver brigas, desentendimentos, tudo. Os verdadeiros Amigos, não se afastam, não se cobram, não se metem na vida do outro ao ponto de prejudicar um ao outro. Eles querem o melhor para cada um. Assim é o Amor. Ele dá Liberdade. Já a paixão, vejo como uma chama avassaladora, maravilhosa, mas que cobra demais do outro e termina por desgastar a ambos.
Homem 01- Não nos apaixonamos pelos amigos? É isso? Seria meio homossexual dizer que sou apaixonado por um amigo ou que seria platônica a relação com amigas... Acho que a pergunta é sobre homem e mulher ou relações afetivas carnais, que configuram uma relação estável e, dessa forma, acredito que a paixão antecede o amor. Você não vê um estranho e diz “eu te amo”, você apenas cumprimenta e o observa, flerta, joga, seduz, tempera, incendeia, provoca. O amor é mais maduro, é a plenitude, é fim do desejo carnal, é o bem querer.
Homem 02- Não disse nada que contradiga isso. “A amizade é uma espécie de Amor.” E, quem participa disso, chama-se “enamorado”. Quando nos apaixonamos, somos “apaixonados”. Não percebe a tênue linha entre ambos? A paixão é adolescente, inconsequente, imprudente, temerária... o amor é maduro (concordo), é inexplicável. É quando conhecemos a pessoa de todas as formas e ainda assim continuamos a gostar dela. Na realidade, a amamos. É algo sublime, Sr. É amor o que sentimos por nossos filhos; por nossos pais; por nossos amigos. O sexo oposto? Apaixonamo-nos por suas qualidades (sejam elas físicas, intelectuais e até espirituais). Mas o tempo (oh! Sábio tempo) transforma uma provável paixão em amor. Não acredito em “Amor a primeira vista”. É paixão. Quando convivemos com a pessoa, quando a conhecemos bem, quando nos relacionamos com ela... aí vem o amor. E isso é para poucos hoje em dia. Todos dizem “eu te amo” (até para um estranho). Olhe nas ruas. A velocidade de relacionamentos é mais rápida que a transferência de dados on-line dos diversos downloads na Internet. Nesse exato momento, quantas pessoas estão usando o verbo “amar” como mera fantasia para externar uma “paixão” descabida?
Homem 01- [Risos] Tenho que concordar... discordando, claro! Isso a que você se refere - a velocidade de informação e aos downloads de sentimentos - não é amor e nem paixão, é apenas, no mundo moderno, a nova fórmula de exercitar sensações e sentimentos: é o que todos chamam de “ficar”. Que se resume a um único beijo, uma única transa ou simplesmente, um mero bate-papo virtual, com nomes falsos (nicks), para suprir as carências existenciais... Então, acompanhamos a modernidade? Posso afirmar que não. Não acredito que uma mulher de 30 anos ou uma jovem de 21, fica até as cinco da manhã, apenas brincando de “amar” ou de se apaixonar. O grande problema está nos rótulos da paixão e do amor, que são massificados pelos veículos de massa. Ou você já não viu senhoras casadas na frente da televisão se apaixonarem pelo personagem do malandro sedutor, que tem uma relação com uma mulher casada? E esse desejo quase exposto está ali, suspenso no ar, enquanto seu marido cochila no sofá, já bêbado, esperando a novela acabar para assistir ao jogo do time do coração, pra transferir seu sentimento de paixão àqueles 22 homens em campo? [Risos]
Homem 02- [Gargalhada. E muitas outras.] Explico, meu caro: “os homens preferem as loiras, mas... casam com as morenas.” Devo deduzir que as mulheres preferem os poetas, mas... casam com os malandros! Ah! Não me interprete mal... Malandragem é ginga, é esperteza, é quesito básico para a sobrevivência da espécie. Se olharmos para nossos antepassados pré-históricos, o que vemos? Eles, os machos, buscavam as fêmeas com maiores quadris, visando à reprodução; já elas, as fêmeas, queriam os machos com ombros mais largos, em busca de proteção. Um poeta, só protege uma dama, se estiver armado ou souber algum tipo de luta. O malandro... Bem, se ele for realmente malandro, dará um jeito! [Risos]. Sobre o cotidiano novela X futebol, bem... isso é um problema. Digamos que a incógnita “rotina” acaba com qualquer relacionamento. Na paixão, isso põe fim a tudo. Quando há amor, verdadeiro mesmo, com diálogo, pode ser combatido. Mas, perceba, que isso não é a “solução”, isso é a “questão”! Porque o primeiro e o último amor que devemos ter... é o amor próprio. Aí, tomamos uma posição nada agradável: queremos realmente estar com alguém, para todo o sempre (até que avida nos separe)? Ou será que precisamos conhecer mais de nós mesmos e de nossa vida – e as pessoas que nela existem – até nos aquietarmos e buscarmos uma família? Será que queremos uma família? Será que queremos Amar?
Homem 01- [Cínico] Aí está o “X” da questão, estamos falando de amor e de paixão e não de matrimônio. Os homens preferem as loiras, mas só casam com as morenas porque só as morenas toparam casar! Mas o que me faz deduzir sobre essa questão é que a paixão é libertina, o amor é obsessivo; a paixão é liberal, o amor é castrador. E quanto ao dialogo para resolver as diferenças, isso funciona entre amigos, não entre amantes. O que estraga as relações afetivas é a espera romântica da expectativa de quem assume as rédeas da relação, ou seja: quem “domina” sente-se mais feliz!
Homem 02- Hum... Discordo, discordo, discordo. Mas, vamos por partes: 1) A paixão é que é libertina, obsessiva e castradora. E ainda mais: induz às rédeas, expectativas (utópicas) e dominações! Você não entende que o Amor é imaculado? Perceba: é o Amor que é liberal. Quando amamos, amamos e pronto. Não desejamos nada em troca! É como lhe falei: um exemplo é o amor de uma mãe para seu/sua filho/filha. 2) Sobre resolver diferenças, claro que o diálogo resolve! Principalmente entre amantes! E, num relacionamento onde há Amor, não há sentimento de amizade, camaradagem, cumplicidade? Eis, sim, o “X” da questão! No Amor, há Amizade acima de tudo! Na paixão, há uma espécie de necessidade de troca entre as pessoas. Você dá seu sentimento, mas quer algo em troca. No amor, não. É incondicional. 3) Na paixão, quem dá as cartas, é mais feliz. Concordo. No Amor, AMBOS dão as cartas... ou, talvez, joguem bola... [Risos...]
Homem 01- Ponto de vista romântico, utópico e conservador, mas... respeito. Essa é uma relação madura - ouvir o outro, compreender e contestar alguns aspectos. Deixe-me dar um exemplo, quando me refiro às rédeas: alguém diz para você o que é certo ou o que é errado do ponto de vista dela. Assim, foram nossos pais, nossos amigos e nossas mulheres - mesmo as que se foram para amar outros. Então, dessa forma, é pensar que o amor não existe, pois se ele é transferível, não é imortal. Aí o que me resta é perguntar: o que VOCÊ preferiria? “Apaixonar-se todos os dias” ou “amar de vez em quando”?
Homem 02- Primeiro: se elas (nossas mulheres) se foram para “amar” outros homens, ótimo. Quando se ama, até se aceita uma separação, pois o que importa é o bem-estar do outro e o seu (se você fica sozinho, tem a oportunidade de conhecer outras pessoas e, possivelmente, apaixonar-se por elas ou amá-las...). Se, a pessoa “amada” se vai, ela, normalmente, procura uma nova “paixão”, não um amor. A paixão é imediatista; o amor é paciente. Quantas vezes, terei de repetir que o amor vem com o tempo? A paixão é como o vento! Se vai e se vai e se vai (assim como as tais mulheres...). Segundo: sobre o fato do amor não existir... por ser transferível. Isso me lembra nossas almas. Acredita nisso? Se não, esqueça, não adianta argumentar, mas... se acredita... Elas se transferem de um corpo para outro, com o tempo. E, até onde eu saiba isso, sim, é um sinal de imortalidade, eternidade. Assim como o amor. Terceiro: apaixonar mil vezes ou amar apenas uma? Não sei, ainda não me apaixonei tantas vezes pra ter uma opinião formada. Eu quero me apaixonar milhões de vezes. Mas quero saber lidar com isso sempre. Acredite: a paixão dói. O amor acalma. Assim sendo, se amar uma única vez (e isso pode não ser possível, pois o Amor pode ser classificado por diversas formas e você amará muitas pessoas...) eu estarei quase às portas do paraíso. E, eu, infelizmente (ou felizmente...) ainda treino no purgatório, que é a Terra.
Homem 01- [Irônico] Ahhhhhh! Concordamos, então, só que falamos línguas diferentes, mas que levam ao mesmo ponto: a paixão é visceral, vem das vísceras... Então vem do corpo! Seria o amor é um espectro que ronda e não habita lugar nenhum? [Pausa] Calma! Isso é só provocação! Quantas vezes você ouviu alguém dizer: “olha, eu descobri que você é tão importante, tão especial que tenho medo de perder sua amizade. É melhor pararmos por aqui...”
Homem 02- Eu mesmo já disse isso. Não sei quantas vezes...
Homem 01- Então? Você não amou? Como se deixa de amar? Por que o amor finda? Na verdade, na verdade, nunca seremos capazes de amar, mas sempre teremos a necessidade de sermos amados!
Homem 02- Amei! Mas aí foi meu erro. Amei jovem. E, para mim, a pessoa era a mulher ideal (para mim). Só me esqueci de perguntá-la se eu era o homem ideal para ela. [Risos]. Hoje, “rio, contra a maré” (poético, não?). Mas, à época, sofri... num rio de lágrimas (novamente, a poesia). Sofri horrores. Estatisticamente, amei umas duas vezes. Mas “amar” não é sinônimo de “ser amado”. Eu me enamorei por duas pessoas. Em tempos diferentes, por motivos diferentes. Pela liberdade que queria, pela liberdade que lhes dei. Mas eu próprio não estava (talvez ainda não esteja) preparado para o amor. Venho experimentando paixões há anos. E cada uma vem com um preço diferente. O que aprendi (oh, Deus, como é terrível isso...) foi controlar meus sentimentos. E isso é muito ruim. Temer apaixonar-me para não sofrer novamente é um veneno para o possível amor. E, temo, sinceramente, não me deixar mais amar. Isso seria uma espécie de suicídio afetivo, confesso, mas preciso de tempo para me recuperar. Por enquanto, vou-me entregando a pseudo-paixões. Procuro pessoas parecidas comigo, para juntos, trocarmos experiências e sensações; gozos e risadas; culpas e conselhos. Enfim, vivermos, até um Amor chegar. Aí, descansarei em paz.
Homem 01- Pelo que entendi o amor, para ser bom, tem que estar velho. É isso? Há muitas contradições em tudo que foi dito por você. Porque é essa a essência do amor que você prega. Mas ela está ultrapassada, piegas... Posso lhe dar um exemplo claro disso: enquanto estamos discutindo filosoficamente os sentimentos, minha mulher está pensando que estou com outra e, por isso, ainda não cheguei em casa. Ou, ainda, que já estou bêbado, falando mal das mulheres. Não! Falo mal do amor que nos cega e não nos permite ver o outro exatamente como ele é - cheio de manias e defeitos (mais defeitos do que qualidades...) Mas onde está o “encantamento” do amor? Na perfeição? Outra palavra tão utópica quanto o amor... Por isso vou mergulhar na piracema da paixão, que por acaso é a contramão do amor. A paixão permite desejar mais de uma pessoa, mas daí, querer e estar com todas elas ao mesmo tempo, seria egoísta, desumano e cruel. Talvez, aí, esteja o meu amor, a vontade e a certeza de sempre querer voltar para casa!
Homem 02- Voltar para casa... Poético. Você acaba de descrever “um amor”. Não importa o que façamos, não poderemos nunca mudar a natureza do Homem. A humanidade vai evoluir e se extinguir e nunca chegaremos a um denominador comum. Mas uma coisa é certa: “sem Amor, nada seremos”. Sabe qual o antônimo do Amor? A indiferença. E disso o mundo está cheio. Dependendo do número de pessoas indiferentes ao que você sente, conheça (seja amor ou paixão) e se relacione, sua vida será melhor ou pior. Acredite: se buscarmos (em uma, dez ou mil pessoas) respostas para nossas dúvidas, não encontraremos. Ninguém sabe as respostas, meu caro. Ninguém. Nem eu, nem você. O que fizemos hoje, foram as “perguntas”. Certas ou não, estão lançadas. E que venham os próximos debatedores... Mas, segue um aviso: “as pessoas só se encontram (e se amam) quando não se procuram.”. Porque o que buscamos, na realidade, quando imaginamos alguém perfeito para nós... é simplesmente uma versão de sexo oposto de nós mesmos. Pare de procurar. Apenas, mostre-se (como você realmente é, sem disfarces...). E boa sorte.
Homem 01- Sabe qual é o sinônimo do ódio? Paixões mal-resolvidas! [Risos] A natureza do ser é óbvia, natural; são as pessoas se perderem e se encontrarem. Natural é perder; natural é achar que se achou e ficar perdido! Complexo não? Não posso responder perguntas com mais perguntas. Talvez seja esse o sentido, não temos respostas. Poderia aqui perguntar: por que alguns amam Deus sem nunca tê-lo visto? Precisamos acreditar em algo, dar sentido a nossa existência. Só que o problema esta aí: sempre concentramos nos outros o que deveria estar em nós. Mas, deixemos que as mulheres nos digam... [Risos] E falando em amor e mulheres... minha mulher acaba de ligar para dizer que nosso cachorro fugiu. Então, tenho que ir. Afinal, temos que buscar aqueles que amamos não é? [Gargalhadas]
Homem 02- Ô... [Gargalhada]
(Guilherme Ramos e Julien Costa, 26/02/2008, 23h25)
Entrevista concedida a Eduardo Proffa ("A Villa Caeté em Revista", hebdomadário nº 07 - de 21 a 30 de novembro de 2008), amigo e irmão-de-arte. Valeu, cara! Obrigado pela oportunidade!
Um cara meio insano, um cara muito coerente, um cara muito honesto, um cara muito “gente”... Conheci-o no Colégio Sagrada Família... Fazia música, fazia teatro. No seu ciclo figuras ilustres povoavam junto ao seu universo criativo. Anos mais tarde, encontro-o com a mesma sede e a mesma desenvoltura. Um pouco mais maduro, um pouco mais atrevido, um tanto assim de coragem, outro tanto louco varrido... E acima de tudo um sonhador... Senhoras e senhores Guilherme Ramos...
01 – A Villa - Quem é Guilherme Ramos?
Guilherme – Um sonhador. “Insone sonhador”, às vezes. Prefiro lembrar que sou ator, diretor, dramaturgo, músico prático, artista multimídia... Enfim, gosto de muitas áreas. E tento vivenciá-las sempre que possível. Atualmente, estou tentando ser escritor mais do que qualquer outra coisa. Existem, ainda, os “títulos” – não posso fugir deles: Especializando em Ensino da Arte - Teatro (UFAL), Especialista em Gestão e Organizações Sociais (UFS), Arquiteto e Urbanista (UFAL) e a “gestão cultural” – minha escolha profissional: Coordenador Artístico-Cultural do SESC/AL, idealizador do Centro de Difusão e Realização Artístico-Cultural (CDRAC), onde são desenvolvidas atividades diversas nas cinco principais linguagens artísticas do Regional (Artes Cênicas, Música, Literatura, Artes Visuais e Audiovisual); Coordenador do Ponto de Cultura Circo-Escola de Incentivo às Artes (C.E.I.A.), aprovado pelo Ministério da Cultura (1º edital), que realiza oficinas de teatro, dança, música, inclusão digital e sustentabilidade cultural urbana - metareciclagem para jovens alagoanos.
02 – A Villa – Quando você ingressou no Teatro?
Guilherme – Comecei a ter idéias e escrever alguns textos em 1984. Autodidata. Só ensaiei de verdade em 1987, no Teatro Amador Sagrada Família (TASF), grupo do colégio onde estudava, sob direção de Alberto do Carmo. Profissionalmente, só em 1994, quando tirei minha DRT de ator. Com muito orgulho!
03 – A Villa – Qual era o “universo” teatral alagoano, naquela época?
Guilherme – Ihhhhh... Eu era um adolescente. Não tinha uma visão “apurada” sobre o assunto. Estava começando a fazer teatro. Mas olhando hoje... Bem, a impressão que tenho é de que a “geração teatral de 80/90” em Maceió era mais “prática” que “teórica” (Risos). Acho que isso vai causar polêmica (Mais risos). Eu explico. Das “experiências que tive” não vivenciei o uso direto da teoria teatral – como é tão comum hoje, sobretudo nos grupos mais recentes. Os artistas cênicos da época ensaiavam e, durante o processo, poucos criavam caso com correntes estilísticas, pensadores e/ou pesquisadores teatrais. Havia “mão na massa”. Trabalho duro. Depois, algumas das ações eram esmiuçadas e éramos apresentados a alguma referência – Falava-se, por exemplo: “o fato de você usar uma lembrança triste para chorar, é uma técnica do Stanislavski. Quer saber mais? Leia.” Era assim. Perceba que esse é o “meu” ponto de vista. De alguém que estava começando a conhecer o teatro e suas técnicas – um mero neófito.
04 – A Villa – Quando você decidiu dedicar-se ao teatro, um pouco mais além do palco?
Guilherme – Já no início... Sempre fui atrevido (Risos).
05 – A Villa – A mudança de Ator para Diretor, Escritor, Produtor, e outros “ors”, foi natural e paralela? Ou, se deu por alguma necessidade pessoal ou casual?
Guilherme – Quando menos esperei, estava escrevendo, atuando, dirigindo, fazendo trilhas sonoras, iluminação, cenografia, figurino, material gráfico... Nossa! Acho que era uma deficiência – ou um vício – da minha geração. Não tínhamos muita gente “especializada” nessa ou noutra função e acumulávamos. Hum... Isso perdura até hoje em alguns grupos, certo?
06 – A Villa – O que é o Teatro da Meia-Noite? Como surgiu essa idéia? Como ele está “sobrevivendo” no estado?
Guilherme - Companhia Teatro da Meia-Noite Artistas Associados (CTMNAA). Um nome e tanto. “Juridicamente” é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, com fins culturais, que tem por finalidade contribuir para o desenvolvimento da arte e cultura alagoana, mediante o fomento, a promoção, o planejamento e a execução de atividades artísticas, realização de cursos, seminários, palestras, encontros, eventos e intercâmbios. Foi criada em 2001, através de um grupo de amigos que amavam fazer teatro, mas só tinham tempo de se reunir às altas horas da noite. Então, depois de uma sucessão de madrugadas de muito trabalho e pouco sono, surgiu - de repente - um nome tão “sinistro” - mas tão sonoro - quanto o texto que estava sendo escrito: “Companhia Teatro da Meia-Noite”. E por que não? A noite, a madrugada, são as maiores companheiras de um artista. E à meia-noite, tudo pode acontecer... Sobre sobrevivência: o grupo realiza capacitações artísticas no Estado – e fora dele – além de produções/eventos em geral. O teatro empresarial – onde o cliente “encomenda” um determinado espetáculo para seus colaboradores e/ou clientela também ajuda a “pagar as contas” da trupe.
07 – A Villa – Sua obra é bem extensa, fale-nos um pouco de suas peças. Ganhou algum prêmio?
Guilherme – Olhando direitinho, acho que já escrevi mais de sessenta textos – originais e adaptados – entre espetáculos, performances e esquetes. Prêmios? Sim, devido a participações em festivais estudantis e na famosa (e finada) “Mostra de Teatro Alagoano”: cenografia, figurino, iluminação, sonoplastia, atuação (IV Mostra, 1989), direção e espetáculo (ambos na VI Mostra, 1996). Já fui selecionado para compor a antologia poética "Diversos", livro publicado em 2005 pela Andross Editora/SP, mas curiosamente nunca tive um texto teatral premiado. Acho que devo escrever mesmo muito mal! (Gargalhada. Depois de uma pausa, um suspiro saudoso e leve pesar) Prêmios em teatro... Isso faz parte do passado. Eu tive sorte nisso. Hoje, Alagoas carece de premiações desse tipo. Refiro-me aos bons “festivais de teatro” que tanto encantavam nossa terrinha. É irônico ver grupos mais recentes terem premiações em outros estados e nenhum aqui.
08 – A Villa – Alagoas tem público, cativo? O que mudou?
Guilherme – Tem e não tem. Sabemos que há público certo para a comédia. Em todo o país. O brasileiro não tem paciência para o drama, a tragédia; quiçá o alagoano – Mas sempre há exceções, ok? Sou, inclusive, uma delas. Mas hoje, o “riso fácil” atrai mais o público. Não vejo mal nenhum nisso. Contanto que coexistam produções mais “artísticas”. Todos precisam ganhar dinheiro, inclusive, o artista cênico. Não sejamos “radicais”, certo? Mas, normalmente, não assisto a esse tipo de espetáculo. Numa boa.
09- A Villa – Para fazer produção artística no estado é um sufoco, como você dribla isso?
Guilherme – E quem disse que eu driblo? (Risos) Já fiz apresentação teatral para uma platéia vazia! E olha que a entrada era franca! Na maioria das vezes, tento negociar com colégios/escolas e garantir público pagante em certos dias, para compensar a temporada – E o público espontâneo.
10 - A Villa – Num contexto abrangente. O que temos de inovador nos nossos palcos?
Guilherme – Eu vejo as linguagens artísticas cada vez mais interligadas, com conceitos e argumentos convincentes. Teatro, dança, literatura, vídeo, música, artes visuais... Um sem-número de experimentos cada vez mais ousados. Isso mostra – na minha opinião – uma oposição (sem qualquer caráter pejorativo) à “geração teatral 80/90”. Lá, havia muita “prática” e pouca “teoria”. Hoje, os papéis se invertem. Há “teoria” em quase tudo. Só me preocupa o bom uso da “prática”. (Risos) Meu receio é o resultado ser muito “conceitual”, muito “cabeça” e não se atingir o público a quem se destina a proposta. Hum... Às vezes, penso que algumas propostas querem justamente isso! (Risos) Vá entender!
11 - A Villa – Aos poucos outros nomes vão surgindo e se unindo a Pedro Onofre, Homero Cavalcante, Ronaldo de Andrade e Alberto do Carmo. Dessa sua geração, quem vem fazendo um trabalho de formiguinha e quem já está com o nome sedimentado?
Guilherme – O Lael Correia também. Aliás, as gerações pós-Lael (Julien Costa, Nilton Resende, Fátima Farias), pós-Alberto (eu, Lima Neto), pós-Mauro Braga (Paulo Sarmento, José Maciel) entre outros, estão aí, na luta. Cada um do seu jeito. Confio na nova geração, muitos vindos do Curso de Teatro - Licenciatura/UFAL (que chegou a ser extinto na década de 90). A turminha que ainda não é “Balzaquiana” tem muito o que mostrar. E terão tempo. Porque quem tem o nome sedimentado mesmo está saindo ou já saiu do Estado. Vai estudar nos grandes centros. Não está errado, não. O problema é que não volta a Alagoas. E, quando volta, enfrenta dificuldades ideológicas. Não segue com a vida acadêmica. Frustra-se? Talvez. Os demais, assim como eu, continuam a fazer o trabalho de formiguinha (não cito nomes, porque o “formigueiro” é grande!) pra “Villa Caeté” não parar.
12 – A Villa – Teatro é para fazer rir ou chorar; reflexão ou lazer; cultura de base construtiva ou banalidades? Comente.
Guilherme – O teatro pode ser tudo isso. Não depende do ator, do diretor, enfim, do grupo estipular as “regras”. Depende do que o público faz com a informação que lhe é passada. Acredito no teatro como Arte; não como um “salvador” ou “corruptor” de almas. Se usarmos como metáfora as nossas programações de rádio e televisão... Nossa! Dá uma nova entrevista! (Risos)
13 – A Villa – Uma dúvida de espectador: Como você vê a nova Cena Caeté? Não estão abusando de caracterizações, demasiadamente pejorativas, e até de gosto “pra lá de duvidoso” para chamarem a atenção do público?
Guilherme – Sim. Já falei sobre isso nas perguntas 08 e 12. E repito: todos precisam ganhar dinheiro. Boa sorte! Só torço para que a “Cena Caeté” mantenha um mínimo de qualidade artística quando estiver propondo fazer Arte. Projetos tachados de “comerciais” vem e vão. Sou indiferente. Muitos são. Com a Arte deve ser diferente. Deve-se fazer História. Do contrário, o que deixaremos para as futuras gerações?
14 – A Villa – Você tem “mil” projetos. Quais são os mais urgentes?
Guilherme – Não queria usar a palavra “urgente”. Dá uma idéia de algo que não foi feito no tempo certo, né? (Risos) Até porque, faço tanta coisa ao mesmo tempo que isso poderia se tornar realidade! (Risos) Ah!... Falei que estou “tentando” ser escritor. Há um livro em mente. Na realidade, dois: “Bloguesia” (aos poucos vai ficando pronto, por ser derivado de meu blog – www.filhosdosempre.blogspot.com) e “Samsara – Os Filhos do Sempre” (romance). Este último é que me preocupa! Tantas idéias, tantas pesquisas (desde 1999) e, até agora, só consegui fechar 16 capítulos – que estou re-escrevendo...
15 – A Villa - Seu momento para finalizar a Entre & Vista a Villa?
Guilherme – Primeiro, agradecer a oportunidade de poder me apresentar aos seus seletos leitores:
Apesar da distância que a vida insiste,
Resiste e persiste em nos impor,
Nossas loucuras não são ameaças;
Tampouco trapaças, sem razão de ser.
Não fico, apenas, do mundo, a mercê,
Tão simples, singelo, sem ter nem pra quê.
Piadas sem graça, insultos de graça,
Podem até me denegrir (Podem ir! Podem vir!)
Mas não vou me negar a possibilidade de rir
De quem ri - ou não ri de mim mesmo?
Sabe lá Deus, se andamos a esmo!
Porque com a vida, aprendi a fazer
O que insistem, comigo, somente esconder.
Fazer o que digo não é, realmente, um perigo;
Mas, pior, é não saber mesmo escolher.
Por isso sonho - mas me imponho:
Que nada (nunca, jamais) deixará de ser
Um artigo medonho, por vezes, enfadonho,
Quanto estar sozinho, sem alguém pra dizer
Qualquer rima tola. Principalmente... você.
"Outro dia me perguntaram por que eu gostava tanto de ler. Vejamos. Ler é melhor do que ir ao cinema, viajar ou usar porcarias que tiram o sujeito do sério. Ao ler você produz, dirige e estrela o filme dentro de sua cabeça; viaja sem os inconvenientes da viagem; e penetra em mundos dos quais volta mais humano e mais sábio. Nada expande mais a consciência do que um bom romance ou qualquer livro inteligente. Pensando bem, ler é a segunda melhor coisa do mundo. A primeira é escrever. A que você está pensando é hors-concours."
(Ruy Castro)
* * *
Texto enviado por minha amiga Silvania Silva. Valeu, menina! Ele tem tudo a ver comigo! Quando eu "crescer", quero escrever igual a ele! Rsss... Ah! E concordo quanto à coisa "hors-concours"... Kkkkkk... Bjuxxxxxxx!!!!...
(Saber definir sentimentos e enfrentá-los é uma dádiva)
Por Fernando Carrara*
O que torna os amores impossíveis mais atraentes é justamente a impossibilidade. Esta atrai. A dificuldade de não ter a pessoa que desejamos nos impulsiona, nos motiva. Funciona exatamente como o perigo. Muitos fazem isso para provar sua força, sua capacidade de conquista. Quanto mais difícil e distante, mais o amor parece ser grande, excepcional e único. E quem não quer viver algo grande, excepcional e único? Em um amor impossível cabem todos os sonhos, todas as perfeições e personagens, o mínimo detalhe é idealizado. Construímos uma imagem em nossa cabeça, que aquela pessoa é única, e é exatamente o que passamos a vida inteira procurando, mesmo que tudo pareça contra. Um amor impossível marca para sempre, mesmo se outros amores vêm e vão depois. Ele sempre deixa aquela sensação de vazio, de inacabado, mal resolvido. E tudo que é mal resolvido, preocupa, incomoda e atormenta. Pois, junto dele, vem a dúvida do e se (e se eu tivesse tentado, tivesse feito diferente etc).
É difícil conviver com uma ilusão. Pois a ilusão não tem resposta, ela não é sim nem não. Ela é meio termo e o meio termo atormenta as pessoas.
Acontece de um amor aparentemente "impossível" se tornar possível e isso quase sempre rouba a magia do sentimento. Inconscientemente muitos sabem disso, o que leva as pessoas a preferirem viver um impossível que dá a satisfação que um possível só poderá abrir os olhos para a realidade.
Porque uma vez que o amor torna-se possível, acaba a expectativa, acaba o sonho. E o homem foi feito para sonhar.
Um amor impossível é forte, resiste ao tempo, ele pode marcar uma pessoa mais que toda uma vida vivida ao lado de outra. Portanto. liberte-se desta ilusão.
* * *
(*) Fernando Carrara é publicitário, admirador da vida e de todos seus encantos e mistérios.
Eu mudo a cada instante. E talvez esses momentos estejam aqui, neste blog. Quer me conhecer (um pouco)? Visite-o. Permita-se. Participe. Comente. Seja diferente (ou indiferente). Não importa. Hoje em dia, tudo é válido: seja no "rubor", seja no "pálido".
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