domingo, 13 de dezembro de 2009

Cuidado com o que Deseja

(Experimento em literatura erótica. Leia por sua conta e risco...)

Era sempre assim: ele olhava para ela e ela sequer imaginava o desejo por trás daquele olhar. Era difícil, para ele, expressar qualquer coisa. Ela era tão meiga, tão recatada, que, qualquer esboço de atitude mais íntima, despertaria, no mínimo, uma agressão física suave – em prol dos bons costumes; da defesa pessoal. Uma jovem dama defendendo-se de um maníaco sexual, um “tarado” por assim dizer.

E assim foi-se mais um dia. Desejo. Fogo abrandado pela postura social a qual ele aceitara como membro “normal” da sociedade. Libido afogada pelas profundas águas da moral e bons costumes. Sim. Uma jovem daquelas deveria ser tão pudica que esnobaria qualquer ação menos “avergonhada”. Seria terrível, para ele, por um ato involuntário, perder a proximidade que tinha dela. Aquele perfume que lhe entrava nas ventas, a cor de seus olhos tão próximos dos seus. Era castigo ficar tão perto daquela pele quente, mas tão longe de suas pernas... Abraçar-se com ela, beijar sua face, dar “bom dia” (ou boa noite...) apenas, era prazeroso, mas completamente incompleto. Ele queria “mais”. Muito mais, aliás.

E os dias foram se repetindo. Um atrás do outro. Como que o provocando. Sua boca salivava como um animal faminto à espera da presa. Desejava a outra boca como água, num deserto ao meio-dia. Por vezes, flagrou-se com a mão entre as próprias pernas, tentando ocultar o desejo, a tara, a fissura, a secura... tesão, enfim, que sentia por aquele corpinho de ninfeta. Tão magrinha... Mas tão sensual, que qualquer marmanjo mais exigente deixaria passar, sem saber o quanto era gostoso de ver. Quiçá, tocar! Lamber. Beijar... morder... arranhar. Gozar. E fazer gozar. Seria o máximo que ele poderia se dar. E ela, claro, iria compartilhar. Mas estava tudo na sua cabeça. Nas duas. E qualquer um poderia ver, se ele não tomasse uma atitude.

Não dava para disfarçar. Pegou uma pasta, escondeu o desejo de todos e saiu da sala apressado. Foi direto ao banheiro. Lá ele poderia esperar tudo se acalmar. “Poderia”, pois a placa “fechado para manutenção” lhe pareceu uma tapa de padre, exigindo-lhe “vergonha na cara”. Não perdeu mais tempo: entrou no elevador e ficou subindo e descendo, para amenizar os pensamentos libidinosos.

Num dado momento, o elevador parou. A porta abriu. Ela entrou. Ele ficou sem graça. Novamente usou a pasta para esconder seu desejo. Pareceu dar certo, pois (mais uma vez) viu aquele sorriso sem igual. Não havia batom naqueles lábios, mas qualquer um (homem ou mulher) mataria para beijá-los. E ele queria isso. O perfume pareceu tomar conta do lugar. Faltava-lhe ar. Seus olhos pareciam embaçar, tão próximos estavam. Ele fechou os olhos e começou a rezar. Pediu para que o tempo passasse logo e o elevador chegasse ao seu destino, assim, ele poderia sair rápido. A respiração acelerou. Inspirou, expirou, contou 1, 2, 3... O elevador tinha parado. Mas, ao abrir os olhos, tudo (ainda) era escuridão.

Ela o abraçou forte. Nunca, em toda a sua vida, ele gostou tanto da falta de energia no horário de expediente. Pernas contra pernas, peito contra peito, rostos próximos... Era o paraíso! Mas estava quente feito o inferno. Não que ele estivesse reclamando, claro. - Essa seria uma boa hora para... – Mas nem teve tempo para terminar o pensamento. A tal “casta” lambeu-lhe a boca como uma gata no cio. E, sem perder mais tempo, meteu-lhe a mão entre as pernas.

- Ei! Ca-calma!

Ela lhe mordeu os lábios como se falasse “- Cala boca, porra! E me beija!”. Mas ele insistia. Não podia acreditar que aquela criatura fosse assim. Ela era tão recatada e...

- Me come, vai! Rápido! Antes que a porra da luz chegue!

Uma “santa” mesmo. Talvez essa “revelação” o tenha deixado tão acanhado. E ele se poupando tanto para não constrangê-la... Que bobagem. Era uma vadia, isso sim. Uma deliciosa vadia “em pele de cordeiro”. E rápida. Enquanto ele tentava entender o que se passava, ela já havia arrancado seu cinto e baixado suas calças.

Inexplicavelmente, pensou em poesia. Aquela boca era... era... era... Nun-nunca ni-ninguém lhe... lhe... lhe chu-chupou daque-que-quele je-je-jei-jeito. Era... era... era... Ahhhhhhhhhhhhhh... Poesiaaaaaaahhhhhh!...

- Minha musa do sexo! – gritou. – Ela parou. Ele calou. Ela sorriu. Ele a ergueu. Os dois se olharam.

- Prova que me deseja... – Disse ela, metendo a língua, ainda viscosa, em sua boca. Ele provou, esfomeado, sem se preocupar com “porra nenhuma”. Sinceramente?

Naquele momento (de tormento)
Toda a "poesia", o que seria?
Ah! Seria... como uma punheta:
Prazer mesmo, só pra quem fazia!

O beijo já não bastava. O sexo invadiu o elevador. Ela gritava. E como gritava! Era uma delícia ouvir aquela safadinha gemendo feito doida, enquanto o cavalgava. Era selvagem. Insaciável. Mordia seu pescoço, arranhava suas costas, pedia pra apanhar...

Isso ele não imaginava. Mas fazia. Porque ela pedia. Mandava. Exigia. E podia ser o último dia da sua vida. Ele queria aproveitar. Estava quase lá (de novo). Mas ela parecia não se saciar.

A luz voltou.

- Nãããããããão! Não para! Não para! Não para!... – Ela gritava.

- Mas...

- Mas, o caralho! Eu quero gozar!

E ele continuou, mais rápido ainda. Era uma corrida contra o tempo. A qualquer momento o elevador seria chamado.

- Vai! Vai! Vai! Vaaaai!...

Alguém chamou o elevador no térreo.

- Puta que pariu! – esbravejou ela. E meteu a mão no botão de emergência. - Vai, cara! Eu tô quaaaaase!... – O elevador ficou parado entre andares. Isso lhes daria mais alguns minutos...

Quando abriram o elevador, estavam no chão, suados feito chaleiras. Ela, ruborizada; ele, desmaiado em seus braços, pálido feito um cadáver. Quando tomou consciência, ela tinha sumido.

No outro dia, parecia que nada tinha acontecido. Mas ele queria mais. No intervalo, quando ela ia pegar as escadas, ele ofereceu o elevador.

- Ué? – Ela questionou. – Você não tem medo?

- Medo? Eu? Com você eu não tenho medo de nada!

- Mesmo? – Ela riu. – E o que foi aquele “desmaio” ontem, hein?

- Ora! Depois de tudo o que você me fez, gostosa, como é que eu ia aguentar em pé? – E tentou abraçá-la.

- EU? – E afastou-se. - Eu não fiz nada! Quando a luz do elevador apagou, você simplesmente desmaiou! Hunf! Passe bem! E não fale mais comigo! Tarado!

Ele imaginou essa reação um dia. - Não é possível... - Desmaio? - Não, não pode ser... – Sonho? - Puta que pariu, que merda!... – Imaginação? - Ah! Desejo filho da puta... - Nada poético, aliás. E “poesia”, sem alguém para lê-la, é como uma punheta: só dá prazer para quem faz.

(Guilherme Ramos, 07/12/2009, 19h45)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Novidade (Nova Idade)

Acho que sinto (novamente) as contrações do útero. É como se o (meu) mundo inteiro estivesse me pressionando para sair de onde estou. Da zona de conforto. Assim como um corpo à beira de um parto. Poético ou não, escatológico ou não, é o que sinto.

Não sei bem o que sinto. É um bem-estar/mal-estar que me confunde e irrita. Deveria estar feliz, afinal é “mais um ano de vida”. Mas, não estaria eu mais próximo da morte? Da indesejada, como diziam os poetas românticos? Comemorar... o quê?

Comemorar o aprendizado de mais um inverno, as aventuras de mais um verão, as injustiças de mais um outono e (porque não dizer) as alegrias de mais uma primavera: estação na qual escolhi vir ao mundo, às 10h30 de um domingo, 26 de novembro de 1972, sob o signo de sagitário e ascendente em aquário. Destino ocidental. No oriente, sou um sensato e compreensível rato de água. Enfim, uma boa companhia em ambos os casos.

O que vim fazer aqui, pouco se sabe. Mas não foi para ser apenas mais um na multidão. Acho que ninguém quer isso, mas muitos se permitem por inúmeros motivos: medo da solidão, medo da felicidade, medo da miséria, medo do medo...

Bobagem. Até as baratas tem sua utilidade na terra. Por que conosco seria diferente? Se (ainda) não acredita em si, arrisque. E acalme-se. Na terra do stress, quem relaxa é rei. Tenha “sangue de barata”, às vezes. Mas, seja (ao menos) uma barata especial. Assim, como eu. Numa eterna “Metamorfose”.

“Vem cá, ficar comigo!”

(Guilherme Ramos, 26/11/2009, 00h00. 37 anos. Mas tudo parece estar do mesmo jeito...)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Profundeza

E se guardou num silêncio tão profundo,
Que, nem que se acabasse o mundo,
Conseguiriam lhe chamar...

(Guilherme Ramos, 16/11/2009, 19h23. Sinto-me meio assim, hoje...)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Leitura

Tenho 'medo' de lê-la.
(Um 'quase' exageiro)
Fazê-lo a faz tão presente,
Na minha frente,
Numa imaginação (até) carnal
Que a faz 'gente'
Mesmo quando ausente.

Suas letras, suas frases,
Sempre me comprazem (e atraem)
Como, a uma mariposa, a luz:
Você (simplesmente) seduz
Todo e qualquer leitor,
Que se entrega completamente
À sua literatura-torpor.

É assim que este ser se sente,
Estando (ou não) na sua frente.
Palavras do coração;
Sentimentos da mente...
Impossível conter: 'emoção'.
Verdade a dizer: 'razão'.
Assim me encontro. Contente.

(Guilherme Ramos, 13/11/2009, 13h31, coincidentemente... Mais um 'comentário' que virou 'post'. Inspiração: nada mais, nada menos que o último texto de Larissa Fontes. Eita menina 'sabida'! Rssss...)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sentir

Não me peçam pra explicar meus sentimentos. Quando (e se) eu souber a resposta, talvez eles já não sejam (tão) verdadeiros. Residem, na inexplicabilidade, meus maiores motivos.

(Guilherme Ramos, 10/11/2009, 10h27, durante uma videoconferência "inspiradora" de incentivo à leitura...)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Melodia (Partida)

Enfim, nado:
Enfiado na terra,
Confinado ao nada.
(Ou quase tudo)
Ao eterno;
Ao infinito;
Ao absoluto.
(Um absurdo)
'Momentum':
'Memento...
... Mori'.
Sóbrio.
Sombrio.
Só brio.
(Eu acho)
Assovio.
A sós, via.
Sozinho...
Silencio.
Afinada, a melodia
(Há melodia?)
Desafia, desatina,
Desafina, esfria.
Confiada a vida,
Com afiada lida,
Confirmada: a ida.
Afinal,
Ao final...
Parte-se.
Parte se for
(Ou se não for)
Uma pessoa querida.
(Com ou sem dor)
Finada.
Fim.
Nada.

(Guilherme Ramos, 02/11/2009, 19h01. Enfim, nada - quase nada - me preocupa. Sei lá! Não sei mais nada... dessa vida maluca.)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reflexões de Espelho

Tenho me sentido estranho. Vazio. Como se uma pausa espaço-temporal tivesse me envolvido sem perdão. Onde é a saída de tudo isso? Onde podemos realmente ver o que ‘precisamos’ e não o que ‘queremos’? Se soubéssemos a resposta para tudo isso, talvez a situação fosse até mais complicada. É a ‘imprevisibilidade’ que nos faz humanos. É o ‘eterno não saber’ que nos move dia-a-dia. Mas reclamamos disso. Constantemente. Insistentemente. Não nos contentamos com nada a não ser com nossos desejos não realizados. Quando os realizamos, deixam de ser interessantes e tornam-se apenas simples lembranças. Engraçado como outrora foram tão importantes e agora... são só passado. Bem ou mal passado.

Sabemos de tudo isso. Sabemos de algo mais. Mas o que sabemos? O que queremos saber? O que queremos fazer? Ser feliz é a meta universal, mas... o que é ser feliz? O que é felicidade? Precisamos do que (ou de quem) para tal feito? Precisamos? Ser feliz é uma arte ancestral. Nos primórdios, o homem era feliz porque estava vivo. E se mantinha vivo. Fugir das feras, alimentar-se, abrigar-se, reproduzir-se, perpetuar-se... e ser história. Pré-história. Depois, sublimou a tal felicidade em arte (clássica) e nas conquistas mundo afora. Guerra. Guerras. É da natureza humana essa competitividade. É da natureza humana se destruir. Mas também construir. E foram erigidos muitos impérios. O homem queria crescer. Assim, seria feliz.

Mas quis mais. E mais. Ao ponto da felicidade ser desejada através de “liberdade, igualdade e fraternidade”. Irônico ou não, não foi tão fácil. E mais conflitos surgiram. Mais guerra. Sempre ela. Estaria, então, a felicidade ligada à luta (constante)? Há de se refletir sobre isso. A história mostra que sim.

Era após era, guerra após guerra, buscou-se a felicidade. Olhamos para trás e vemos que ela pode ser traduzida em vida, sexo, família, arte, dinheiro, poder... Mas... e o amor? Nos dias de hoje, parece ser o objetivo mais inacessível. Piegas ou não, clichê ou não, esse sentimento é o mais desejado e o mais incompreendido de todos. E por todos. Podemos explicar guerras, justificar brigas, compreender desentendimentos entre pessoas e/ou nações, porém, somos cegos, surdos e mudos diante de algo tão simples (e tão poderoso). Por quê?

Porque desejamos o amor, mas, depois de tantos desgastes, decepções, desavenças (desde que o mundo é mundo é assim, nas devidas proporções...) deixamos que ele pouco se aproxime. Queremos que o amor nos preencha, mas, honestamente, o que fazemos para deixá-lo ficar? Até permitimos uma pequena aproximação, mas, quando ele está (quase) nos convencendo (às vezes é mais fácil acreditar em fantasmas – sobretudo do passado), fugimos e não permitimos sua existência dentro de nós.

Temos medo. Do desconhecido. E da felicidade também. Afinal, o que será? O que seria? Então, arranjamos desculpas para os conflitos. Por isso, as guerras. Entre nações, entre famílias, entre nós mesmos (‘id’ versus ‘ego’ versus ‘superego’). Tudo porque não aceitamos o ignoto, o novo, inovador, renovador, que renova a dor de ser exatamente como somos.

Não mudamos. Talvez uma ou outra palavra; talvez de um lugar para outro. Mas somos imutáveis na essência. As transformações que atingimos (e nos permitimos) são resultado de milhões e milhões de anos de evolução (?), contradição e controvérsias. Somos um carbono-complexo incapaz de aceitar mudanças radicais. Levamos tempo demais para mudar o ‘comportamento’, mas nossa ‘natureza’ é teimosa. Quando (finalmente) a humanidade estiver próxima de mudá-la, muitos já serão poeira cósmica, cinzas de um bando de orgulhosos, que perderam seu tempo negando e se negando amor, disfarçando isso de auto-preservação (culpando traumas e desilusões anteriores).

No fundo mesmo, o que sentimos é medo de sermos felizes. Com nós mesmos. Por nós mesmos. Sem precisarmos de mais nada (nem ninguém) para isso. Talvez sintamos um choque anafilático em nossa consciência. Um vazio. Como se uma pausa espaço-temporal tivesse nos envolvido sem perdão.

E, assim, as guerras recomeçam...

(Guilherme Ramos, 26/10/2009, 13h20.)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Inspiração...

Às vezes a poesia se alonga...
Às vezes se encurta.
Às vezes acho 'tá bom!'
Às vezes, 'tá não...'
(Mas é minha culpa)
Às vezes ela não vem...
Às vezes vem; abrupta.
Assim, quem sabe, nunca se acabe,
Fique com gosto de 'quero mais'...
Inspiração (ou não) é assim:
"@#$%&*%@$#%&$#@%#&!"(*)
(*) Tradução: "Vapt-Vupt-Zás-Trás!"

(Guilherme Ramos, 23/10/2009, 19h32. O comentário virou post. Obrigado, Guilherme Herculano e Rafael Araújo! Graças ao comentário no post anterior, a 'inspiração' deste aqui veio rápida! Abração!)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Precisão

O tempo todo
(Todo o tempo)
É só momento.
Instante...
Constante...
Contrastante...
Comum (o bastante)
Pra ninguém perceber
Que no fim (relevante)
O que está vivo
(E só isso é preciso)
Cedo ou tarde...
Vai morrer.

(Guilherme Ramos, 10/10/2009, 17h32... 17h33... 17h34...)

domingo, 4 de outubro de 2009

Cais

Barco, sem cais,
É deriva.
(Às vezes naufrágio...)
Cais, sem barco,
É solidão.
(Por vezes, tão frágil...)
Assim somos.
Eu. Você.

(Guilherme Ramos, 12/09/2009, 7h30.)