terça-feira, 30 de dezembro de 2014 0 comentários

Ser Artista



Ser artista é respirar o amor,

É falar sem palavras, gritar.
É pintar, é criar, é compor,
É ser altruísta, puro e pleno.
Eu já não sei como explicar.
É não conseguir ser pequeno,
É saber antes que alguém pense,
É pensar antes que alguém saiba.
É saber antes de alguém nonsense,
É caber onde ninguém mais caiba.

Ser artista é ser o que se é,
Seja lá o que diabos você for.
Ser artista é querer “dar no pé”,
Quando a vida fica meio sem cor.
Ser artista é se perder de vista,
É fazer poesia na Avenida Paulista,
É compor uma música em Maceió.
Ser artista é ter o mundo inteiro,
Mas escolher a agulha no palheiro,
Porque o seu coração é um só.

(Guilherme Ramos, 12/12/2014, 10h45.)


Imagem: Google.
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Vida, Amor e Risos


Vida, amor e risos:
É do que preciso.
Vida...
Para ser vivida.
Amor...
Para toda a vida.
Risos...
Nunca são demais.
Vida, amor e risos:
Para sempre.
E sempre mais.

(Guilherme Ramos, 30/12/2014.)

Foto: Nanda França.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014 0 comentários

Arriete Vilela entrevista Guilherme Ramos (especial para a Gazeta de Alagoas)

É. Eu sei. O blog ficou meio paradinho de um mês para cá, né? Eu explico: estou numa produção intensa (prosa e poesia) desde o início do ano. Porém, preciso deixá-la inédita para poder concorrer a editais literários Brasil a fora.

É meio injusto com vocês, assíduos leitores e leitoras, mas tentem compreender minha situação: não estava encontrando espaço em editais e concursos literários pela falta de ineditismo. Tudo o que eu criava estava aqui. Postado. E condenado a permanecer apenas aqui.

Decidi me permitir um pouco mais, para divulgar meu trabalho (e o blog também, claro), afinal são 8 anos de poesia, prosa, música... Acho que preciso atingir outras mídias.

Falando nisso, houve uma recente entrevista que dei para Arriete Vilela, especialmente para o Caderno B da Gazeta de Alagoas (sábado, 13/09/2014). Vocês podem acessá-la completamente clicando na figura abaixo (mas, se descerem um pouquinho, tem um "drops" dela...):


 Arriete Vilela entrevista Guilherme Ramos

Boa leitura!!!!

Um abraço,

Guilherme.

Por: ARRIETE VILELA - ESPECIAL PARA A GAZETA

Guilherme de Miranda Ramos, artista intermídia, ator, diretor teatral, escritor/poeta/dramaturgo, compositor e músico prático. Mantém o blog “Prosopoética de um Insone Sonhador” (www.prosopoetica.blogspot.com), que participou em 2010 do 2º Prêmio Blogbooks, categoria Arte e Cultura (parceria editora Singular Digital, Universo do Autor e editora Ediouro) e ficou entre os 25 mais votados no país. 


Seu conteúdo, despretensioso, mescla poemas, músicas, contos, reflexões e tudo mais de inspirador que vier na cabeça. Em 2005, foi um dos selecionados para compor a antologia poética “Diversos”, livro publicado em outubro pela Andross Editora (SP). Mas também é Especialista em Gestão de Organizações Sociais (UFS), Arquiteto e Urbanista (Ufal), além de ter concluído os cursos Atualização em História da Arte (UFPE) e Gestão de Políticas Culturais (Ufal).

Mesmo com o blog, Guilherme Ramos ainda tem muitos textos inéditos (possui um livro de crônicas e outro de ficção brasileira esperando para serem lançados). Transitando entre prosa e poesia, seu dia a dia é frenético. Atualmente escreve um livro de poesias diárias, além de ficções brasileiras, textos teatrais e crônicas avulsas. Há, ainda, projetos/esboços de romances esperando ganhar vida. Mas tudo a seu tempo. 

“A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade”. Concorda com Dostoievski?

Nietzsche afirmava que “(...) se a verdade não agradar ao homem, ele a troca por uma ilusão da verdade. (...)”. Ou seja: a verdade nada mais é que uma mentira convincente – e conveniente. Dia após dia, selecionamos o que é melhor para nós. E é na catarse da tragédia que nos livramos do que nos incomoda – mesmo sem saber disso. Com a sátira, é a mesma coisa: uma paródia aqui, outra ali, e lá se vão outras tantas frustrações. Aliviados, revigorados, seguimos. Com a nossa vida. Precisamos passar por tragédias, para que encontremos a “redenção” de que necessitamos. Ironicamente ou não, é na sátira que rimos de nós mesmos (e/ou dos outros) para expor as metástases da verdade que ninguém quer para si. Parafraseando o “filho do Homem”, somos caminhos, verdades e vidas...

“Com a comédia eu consigo procurar pelo profundo”. (Dario Fo)

Quantas vezes, sob o brilho de um sorriso fantasioso, escondemos sombras de uma realidade amarga e indigesta? O riso nada tem a ver com a falta de seriedade de quaisquer assuntos. Ao contrário. Quando não é o “riso pelo riso” (e tenho certeza que Fo não se referiu a isso), a carga de crítica que o acompanha daria para explodir um país – insensível – inteiro. Plauto, Shakespeare, Molière, Gercino Souza, Wolney Leite, Ariano Suassuna, entre tantos outros, fizeram rir como ninguém. Mas, se observarmos as nuances de suas histórias, as ironias disparadas, as dualidades injetadas, ah!, temos um prato cheio de reflexões, não é mesmo? Parodiando Che Guevara, em sua célebre frase “há de se endurecer, mas perder a ternura, jamais”, vou tentar exemplificar como seria um “riso sério”: rir, para se divertir. Mas perder a noção, jamais!

Como Charles Chaplin, você crê “no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror”?

Sim, sim, sim. Chaplin foi um visionário em seu tempo. Tudo o que ele queria fazer era seus filmes. Mostrar tudo o que sabia. E sabia muito: escrevia, dirigia, produzia, dançava, atuava, compunha músicas; enfim, um gênio completo que se recusou – inicialmente – a usar som em suas produções. Isso porque não objetivava olhos e ouvidos apenas. Ele desejava o coração do público. As pessoas já se falavam e se ouviam demais. Ele queria que o público “sentisse” o filme; a história. E sentir – em sua época e ainda mais nos dias de hoje – é um ato heróico. Sentimentos podem iniciar grandes romances ou conflitos inimagináveis. Sentimentos fazem o homem amar ou odiar seu semelhante. Quando nos permitimos o riso e a lágrima lembramos, nem que seja por um mísero instante, que somos humanos. Nascemos chorando. Choram por nós quando morremos. No intervalo entre vida e morte, choramos de alegria e de tristeza. Lágrimas são recorrentes em nossas vidas como um dia após uma noite. São inevitáveis. São necessárias. Mesmo quando não as desejamos. Mas quem controla isso? Às vezes, choramos até de tanto rir! Porque, no fundo, no fundo, todo mundo quer ser feliz. E pessoas felizes não querem guerras. Pessoas felizes não têm tempo para sentir ódio. Não há mais medo quando rimos. O riso anestesia a dor e ameniza o sofrimento. Não há mais terror quando rimos. Cabe a cada um de nós utilizar essas ferramentas pessoais para o próprio bem-estar. E já dizia Millôr Fernandes: “Entre o riso e a lágrima há apenas o nariz.”. Então, faça o que quiser, mas faça de tudo para ser feliz!

“Basta ler meia página do livro de certos escritores para perceber que eles estão despontando para o anonimato”? (Stanislaw Ponte Preta)

Tenho dois pontos de vista. Um autor torna-se anônimo/fracassado por dois motivos: 1) O escritor não segue a tendência do mercado literário (ou não se submete ao que uma editora dita/condiciona para publicá-lo e/ou se recusa a mudar seu estilo de escrita porque “esse tipo de literatura não vende”); 2) O escritor escreve mal. É, acontece. Tirando os elementos “sorte” (de cair nas graças de uma grande editora) e “talento” (isso não se discute), um autor pode se matar de escrever e nunca será lido – a não ser por seus amigos e familiares mais próximos. Aliás, se ele morrer, há grandes chances de alguém se interessar mais por seus escritos, do que quando ele estava vivo. Assim é a vida. Difícil. Digna de virar livro. Mas nem sempre é assim. E fim.

“O mais valioso de todos os talentos é aquele de nunca usar duas palavras quando uma basta?” (Thomas Jefferson)

Em literatura, há uma regra de ouro: “menos é mais”. Quanto menos se escrever e mais se disser, melhor. Na vida, não podia ser diferente. Quando muito se fala, maiores serão as chances de se cometer erros. Mas alguns erros são ensaios para o sucesso. A sabedoria está em aprender com eles, erros silenciosos e/ou barulhentos. Aprender com as histórias que vivenciamos. Escrever histórias que precisam ser lidas. Mas devemos escrever um livro que gostaríamos de ler. E poupar o leitor de mediocridades. Pitágoras, filósofo grego, já aconselhava: “Não diga pouco em muitas palavras, mas muito em poucas”. Melhor parar por aqui…

Leia mais em:

(Conto "12 de Junho", completo)

e

(Crônica "Amor-Produto", fragmento)

A crônica completa você encontra aqui:

quinta-feira, 10 de julho de 2014 0 comentários

Conhecer


Definitivamente eu não a conheço. O que pode ser bom, porque não conhecer alguém (pelo menos o suficiente) é não se decepcionar com potenciais defeitos que essa pessoa possa ter. Não conhecer alguém é, antes de tudo, uma mágica curiosidade que nos permite a agradável surpresa de conhecer alguém melhor que nossas expectativas. Não conhecer alguém é navegar num mar com fama de perigoso, mas não se abalar com a opinião dos outros. Só para tirar as nossas próprias – e contrárias – conclusões.

Não conhecer alguém, exatamente como você, é pensar que tudo será o mais maravilhoso possível. Porque de pessimismo, o mundo está cheio. A doçura do otimismo é tão rara quanto água no deserto. O otimismo em conhecer alguém como você pode ser mais do que sequer imaginamos. Pode. E deve ser. É como compor uma música tendo apenas o acorde principal. As possibilidades são infinitas, mas só nosso coração – e nosso talento – poderão diferenciar na criação de uma melodia comum de uma obra-prima digna dos deuses. E agradar unanimemente.

Platonismos à parte é muito bom não conhecer você. Porque conhecer precede conviver; conviver, relacionar; relacionar, surpreender; surpreender, decepcionar; decepcionar, entristecer; entristecer, desistir; desistir, abandonar; abandonar... ah, abandonar não tem jeito. Abandonar é deixar para trás tudo o que se desejou um dia. E isso eu não quero. Com você. Jamais sobreviveria à possibilidade de não ter por você tanto apreço. Tanta admiração. Tanta paixão. Tanto... Amor. Não, amor não. Porque amor necessita de tempo. E de dedicação. Como necessitam as mais frágeis – e belas – flores do mundo.

Meu amor não conhecido - não o amor acusado de ser devastador (isso pode ser até paixão ou loucura de nossas cabeças), mas o amor verdadeiro - é condenado a ser ficção, lenda, poesia, de simplesmente não existir, de deixar de ser “o amor mais que amor”, o amor eros-filos-ágape, o amor maior, maior que nós, maior que o mundo. Esse amor - e tão somente ele - vem com o tempo. Quando as pessoas não criam expectativas. Quando esquecem qualquer tormento. E apenas amam. No acalentar de seus corações. Num conto de fadas mágico e infinito, até que a morte os separe.

Assim como o amor desconhecido pela maioria das pessoas, também é muito, mas muito bom não conhecê-la. Completamente. Apenas o suficiente. Porque amar alguém assim, tão inteiramente, tão desmistificadamente, tão perfeitamente, poderia ser desejo impossível. Não quero isso para mim. Nem para você. Prefiro você como um ideal. Uma meta. Um sonho. Realizável. Na hora certa. No momento certo. Na pessoa certa.

Mas, por enquanto, só é possível conhecê-la nos momentos mais sombrios. E torna-los de maior encanto: usar toda essa força (será que é amor?) para me reerguer. E continuar. E vencer. Porque perseguir ideais é isso: é seguir sempre em frente, sem ter nada a temer. Sem medo do que virá. Acontecer.

Acontece que eu não a conheço. Mas ainda posso me apresentar qualquer dia desses. Afinal, uma musa é uma musa, é uma musa, é uma musa. E você já me conhece muito bem. Sabe do que sou capaz de fazer...

(Guilherme Ramos, 10/07/2014, 12h17.)

Imagem: Google.
sexta-feira, 4 de julho de 2014 0 comentários

Inevitável (Fim)


- Tudo bem se você quer ser feliz sem ninguém. Eu prometo que não atrapalho. Até facilito as coisas! Divido a missão. Será menos trabalho para nós dois. - Disse alguém para outro alguém.

Era evidente que ninguém gostava da situação. Mas era inevitável. O fim. Términos de relacionamento são sempre desagradáveis. Para alguém. Para o outro, talvez seja um alívio, mas há sempre um sofredor-mor à deriva, no mar das desilusões. Esse, sim, sofre pelos dois. Sofre pelo mundo. Sofre um pouco mais.

Algumas palavras nunca deveriam ser ditas. Palavras são como a lava de um vulcão em erupção. Destroem tudo a sua volta. Descontroladamente. Exterminam. Extinguem. Vidas.

O sentimento de vazio preenche ambos os lados. Mas alguém sempre fica mais pesado. Esse peso puxa, não o corpo, mas a alma, para baixo e lhe apresenta a um inferno bem particular. Lá, não há sorrisos para fotos, não há lembranças saudáveis, não há momentos inesquecíveis, não há atos memoráveis. Há apenas inferno. Não de fogo. Nem de gelo. Apenas um vazio absurdo e absoluto que cobre o coração partido de luto e o restringe ao silêncio sepulcral.

Em meio ao vácuo, percebe-se a luz fraca e pouco pulsante da esperança. Esperança. De quê? De que tudo irá passar e poderemos recomeçar? Apenas quem sofre sabe da importância do oxigênio nos pulmões nas horas de sufoco. Da necessidade de calor (humano) durante a frieza (humana). Da grandiosidade das cores, na monocromia da vida. Da vida, em si. Viva. Que não se sentia mais.

Devia ser isso, a presença da tal morte. Essa indesejada presença que nos atenta todos os dias, prometendo a paz eterna, em troca da tristeza que nos assola. Tristeza. Decepção. Comoção. Ninguém vive assim e consegue ser feliz. Isso é viver num inferno. O que fazer? Como fazer? Não havia respostas. Havia questionamentos. Havia (ainda) sentimentos. Estando-se só, no Céu ou no Inferno, podemos conversar com nós mesmos.

Desse diálogo interior, (re)descobrimo-nos. Salvamo-nos. De nossas próprias condolências, de nossos pêsames pessoais, (re)surgem os mais sinceros sentimentos. Dentre poucos, destaca-se um inefável, infalível, inegável, que nos faz esquecer tudo e todos que nos causaram mal.

Infatigavelmente, (re)começamos a jornada. O sentimento começa fraquinho, mas vai ganhando força à medida que nos conhecemos. Bem ou mal, é um (re)começo. Temos a sorte disso. A regeneração da alma é lenta, mas a ferida fecha. Cura. Cicatriza. Até que não há mais dor para se (re)clamar.

A dor faz parte de um passado mal passado. Que não precisamos requentar. Deve estar fora do cardápio, pois se encontra com o prazo de validade vencido. Devemos preparar novos sabores e apreciá-los lentamente. Degustá-los. Apropriadamente. Mesmo quando se escolhe fazer tudo isso sozinh@...

(Guilherme Ramos, 02/07/2014, 17h37.)

imagem: Google.
quinta-feira, 3 de julho de 2014 0 comentários

Acidentalmente


Acidentes. Acontecem. Você está por aí, totalmente adverso e… Pimba! Acontece. O acidente. Não é uma coisa que se queira. Que se deseje. Mas que nos persegue. Sem piedade. Sem clemência. Absolutamente sem dó. Porque tem que ser. Ou porque estávamos descuidados.

Descuidos são acidentes autoimpostos. Quando não damos a mínima para nossos atos e ações. Quando achamos que nada pode nos atingir ou sequer pensamos na possibilidade - real - de sermos vítimas de nós mesmos. Nosso pior algoz sempre somos nós. Porque temos o poder de permitir - ou não - que qualquer coisa nos atinja. Seja ela de cunho físico ou moral. Tornamo-nos vítimas de nós mesmos.

Vitimização é quando abraçamos acidentes e descuidos e sofremos, sofremos e sofremos. Inutilmente. Sofrimento sem providências, sem iniciativa, é uma morte premeditada. Quando esquecemos que ainda temos força o suficiente para remediar e nada fazemos. Afinal - pensamos - o que está feito, está feito e nem sempre se pode mudar.

Mudança, ao contrário do que se pensa nessas horas, não é, em sua totalidade, ruim. Mudar é típico da natureza. As estações mudam, as fases da lua mudam, a maré muda. Quase tudo muda. Exceto o homem que insiste em ser o mesmo. E sendo o mesmo, faz uma mudança que não deveria existir. E põe tudo a perder. E só nos resta reclamar.

Reclamar é falar, falar, falar, é praguejar, praguejar, praguejar... mas não fazer nada. É culpar tudo e todos. Fazer o inferno na terra. Beber litros de veneno e esperar que o alvo de sua reclamação enfraqueça, morra e desapareça. Reclamar é apenas querer sobreviver ao problema em si.

Problemas são desafios. Coisas que nos acontecem aqui e ali, proporcionando-nos apogeus. Ou declínios. É a hora do tudo ou nada. É quando mostramos o que somos. E do que somos capazes. E do que não somos capazes.

Mas o que somos? Um amontoado de moléculas de carbono, uma criação divina, um experimento alienígena. Apenas somos. Talvez tudo isso, talvez absolutamente nada. Mas somos. Somos únicos. Somos Próprios. Somos o que somos. Custe o que custar. Seguimos adiante. Em evolução.

E evoluções, assim como as revoluções, exigem perdas. Sobrevivem os mais adaptáveis. A força apenas não adianta quando o inimigo é invisível. Quando o inimigo está dentro de nós. E esse inimigo - silencioso e mortal - sabota-nos todos os dias, através de péssimas escolhas, péssimas ações, péssimos argumentos. Ele nos vence sem fazer esforço. E nem percebemos.

Então, se o inimigo somos nós, a quem apoiaremos? Estaremos apoiando o lado vencedor, mas também seremos o lado vencedor. De qualquer modo, perdemos. Mas, de certa forma também, de qualquer modo, ganhamos.

Face à guerra iminente, só há uma coisa a fazer: focar nos louros da vitória e não nas baixas da derrota. O derrotismo vai nos tentar. O derrotismo vai nos inspirar a desacreditar ainda mais em nós mesmos.

Cabe-nos resistir ao derrotismo e lembrar que para alcançar uma grande vitória, não podemos esquecer - e aprender - com as pequenas derrotas que pavimentaram nosso caminho. Acidentado. Foram igualmente, acidentes.

E acidentes, acontecem.

(Guilherme Ramos, 02/07/2014, 18h34.)

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quarta-feira, 2 de julho de 2014 0 comentários

Da sensação de fazer o seu melhor e achar que ainda falta algo...


Incompletude. Sensação de vazio, estando-se cheio de algo que se gosta. Um oceano vazio de vida. Um deserto subaquático, uma morte líquida, um vazio cheio. Um nada repleto. Completo. Extremo.

Assim estava um coração à deriva, sem ter razão ou porquê. Assim eu estava, sem estar com você. Mas nada mudou ao encontra-la. Absolutamente. Permaneci vazio, frio e isolado. Mas havia um instante de vida em meio a toda extinção. Havia um sorriso. Havia libido. Havia afeto e sensação.

Deu-se um salto evolutivo. E, da terra estéril, veio a vida repentina. Milhares de anos de mudanças e adaptações em segundos a fio. Tudo por um olhar. A visão de um sorriso. Que era seu. Que se tornou meu. Foi nosso doce mudar.

Fora nosso big bang, onde nenhum criacionismo ou darwinismo poderia nos explicar. Nem explicitar. Somos as únicas espécies racionais capazes de nos entender. Somos só eu e você, para esse mundo povoar. Somos Filhos do Paraíso, sem questionar. Somos pecado e serpente. Somos linha de frente. Somos feitos para amar.

Fomos. Somos. Seremos. Serenos, faremos mais do que se pode imaginar. E fomos. Seguimos. Amamos. Juntos, criamos o que ninguém sabia mais. Mas, mesmo assim, havia a mesma sensação de vazio. Do início. Do início dos tempos. Um vazio existencial. Que precedia o tempo e o espaço.

Havia a sensação de fazer o seu melhor e achar que ainda faltava algo. E assim foi, dia após dia, até o fim dos tempos. Quando havia apenas cinzas no mundo, eu e você olhávamos um para o outro e pensávamos: por que tudo isso aconteceu? Não havia resposta. Certa ou errada. Havia o nada. Que, mais uma vez, nos venceu.

Do nada, fez-se o algo. E, desse algo, uma nova centelha de esperança nos (re)surgiu. Era o que precisávamos para recomeçar. E seguir em frente. Sempre em frente. Como sempre. Assim é a vida, morte após morte, sem cessar. Nunca haverá vazio completo, nem um completo vazio. Haverá vagas, para preenchermos com o que temos de melhor. Ou pior.

Por hora, vou coletando as sementes. Vou plantando as sementes. Vou regando as sementes. Vou espera-las crescer. O que vai nascer, eu não sei, mas tenho a certeza de que fiz minha parte. Assim como você.

Quem sabe, enfim, quando as chamas dos vulcões apagarem, os oceanos secarem, os céus escurecerem, ainda reste o seu olhar, o seu sorriso no horizonte. Uma estrela guia para este navegador de sonhos e pesadelos. Um olhar ao norte. Ao legado da sorte, para em você, mais uma, vez eu aportar.

(Guilherme Ramos, 01/07/2014, 12h25.)

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terça-feira, 1 de julho de 2014 1 comentários

Eu Sempre me Apaixono


Sim, é esse o problema: eu me apaixono. Sempre. Eu sempre me apaixono. Por um sorriso, por um olhar, por um corpo bonito, por um bom conversar. Eu me apaixono. Sempre. E o que poderia ser a melhor coisa do mundo, nem sempre é.

Pois é. Apaixonar-se é esquecer-se por um momento e permitir-se transferir tal sentimento para outra pessoa. Quer ela queira – ou saiba – ou não. Apaixonar-se é coisa platônica e selvagem. Plutônica. Radioativa. Fica entranhado na gente por muito tempo. É coisa de DNA (Doe-se Naturalmente e Apaixone-se). E passa de geração para geração.

Gerações mais tarde, mais uma vez, (re)apaixonamo-nos. E de novo. E novamente. E mais outra vez. A natureza é sábia. Nós nem sempre. Por isso nos apaixonamos. Para, cegos, tatearmos nossos sentimentos e alcançarmos as respostas certas. No tempo certo. Com a pessoa certa. Ou não.

Mas eu falava do “problema” de me apaixonar. Apaixonar-se pode ser uma via de mão única. Sem retornos, sem ruas perpendiculares que permitam acessos a outras ruas. Você segue reto a vida toda, apaixonado, numa rua errada, numa avenida errada, numa estrada errada. E termina chegando numa cidade nova. E errada. E continua errando. Como se você, ao contrário de um automóvel, não possuísse marcha ré.

Quando depositamos nossas atenções em outra pessoa, esperamos que ela faça o mesmo. Mas isso nem sempre é verdade. Não. E não é crueldade. É um simples fato de que paixão cega uma pessoa e a outra precisa virar seu guia. Mas quem é que quer ser guia de alguém para sempre? Desse racionalismo autoprotetor (da pessoa alvo do apaixonado, claro), cria-se um anticorpo insensível, anti corpo-mente-coração do outro. E cria-se a repulsa.

O pobre diabo (o tal apaixonado) vê-se sozinho novamente, somente com suas lágrimas como companhia. Melodramático, até, mas real. Lágrimas. Alma liquefeita. Que, de tanto chorar, seca. Resseca. A alma. E não chora mais. Torna-se represa abandonada. Lagoa evaporada. Paixão negligenciada.

Até que venha outra. E outra. E mais outra. Paixão. Sempre vem. Como a chuva. E como a falta dela. Mas, para tudo é preciso equilíbrio. Nem tão seca, nem tão enchente. Não precisamos de intempéries de gente. Só de gente. A gente.

No fim (espera-se), tudo se acerta. De uma maneira ou de outra. Sã. Ou louca.

(Guilherme Ramos, 26/06/2014, 15h51.)

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terça-feira, 17 de junho de 2014 0 comentários

Todo mundo carrega um coração partido


Hoje eu vi uma foto sua. E gostei. E não gostei. E sorri. E chorei.

Não sei porque fiz isso. Sim, sou desses. Não sou melancólico, paranoico ou qualquer coisa do tipo. Sou humano. Demais. Confesso. E isso não me traz tantas vantagens quanto pensam. Pesa. Tonelagens não bastam até que perceba o quanto a gravidade me arrasta para baixo, buscando o equilíbrio suficiente para me manter de pé. Assim é meu dia a dia. Sem vê-la. Assim são minhas noites. Sem saber que você (ainda) existe. Sem mim.

Egoísmos à parte, tem sido assim. Não me lembro o tempo todo, mas todo o tempo tento esquecer você. E não tem sido fácil. Nunca foi. Nunca será. Porque o que tivemos não “foi” apenas bom. “Tem sido”. Bom. Ainda. Carrego dentro de mim, lembranças do que poderia “ter sido” os melhores dias de minha vida. Não sei da sua.

Todo mundo carrega um coração partido. Eu mesmo tenho dois. O meu e o de minha paixão. Que se tornou platônica. Partícula subatômica de um passado (quase) feliz. “Quase”, porque já foi passado, foi presente, mas não pôde ser futuro.O romance, que um dia foi leve, hoje se tornou mais duro. O amor, que se irradiava em cores pulsantes, deixou de ser vibrante e ficou escuro.

Das sombras, acesso uma série de memórias. Para mim, apenas histórias de fadas, de fábulas, enredos infantis, de fazer dormir. Pouco me importam outras paisagens, outras histórias, outras vontades; pouco me importam as verdades. São mentiras disfarçadas e, quando usadas, causam mais dor que contentamento. Estou farto disso. Assim, aproveito o seu sumiço e também desapareço de vez.

E, ao não me encontrar, bate aquele medo. Medo de não ser mais o mesmo. Mais do mesmo. De não me tornar “alguém” novamente. Mas sei que, lá no fundo, bem lá no fundo, por baixo da lama seca e endurecida, existe uma pessoa comum. Igual a você. Que só quer companhia. Que sabe se virar sozinho, que sabe ser feliz sozinho, que faz os outros felizes, sozinho.

Mas acompanhado é bem melhor.

E, ainda que a melhor companhia do mundo seja nós mesmos, sempre haverá um momento em que precisaremos de uma segunda opinião...

(Guilherme Ramos, 02/06/2014, 12h37.)

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terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

À Beira da Morte


À beira da morte,
Você pede perdão.
À beira da morte,
Você se arrepende de tudo. Que fez. De errado.
À beira da morte,
Você só não quer ficar só.
À beira da morte,
Você valoriza o tempo que lhe resta.
À beira da morte,
Você quer tudo e faria de tudo para conseguir.
À beira da morte,
Você se lembra de seus pais. Ou de quem mais ama.
À beira da morte,
Sempre queremos mais. Vida.
À beira da morte,
Cedo ou tarde,
Você morre.
Tão melhor seria
Se fizesse mais
Nessa vida vazia:
À beira da vida,
Sempre queremos mais. Vida.
À beira da vida,
Você se lembra de seus pais.Ou de quem mais ama.
À beira da vida,
Você quer tudo e faria de tudo para conseguir.
À beira da vida,
Você valoriza o tempo que lhe resta.
À beira da vida,
Você só não quer ficar só.
À beira da vida,
Você se arrepende de tudo. Que fez. De errado.
À beira da vida,
Você pede perdão.
À beira da vida,
Cedo ou tarde,
Você não vive.
Tão melhor seria
Se tivesse mais
Que uma morte vazia...

(Guilherme Ramos, 25/02/2014, 23h33 e 27/02/2014, 11h10.)

Imagem: Google.
sexta-feira, 2 de maio de 2014 0 comentários

A Chuva e Eu


 Eu me perguntei sobre o que a chuva estava falando. Ela me parecia agitada, nervosa, descontrolada. Chovia há três dias. Sem nenhuma pausa. Um sentimento abstrato me ocorreu no exato momento em que trovejou. Seria aquilo, um aviso de que tudo - entre nós - piorou?
A chuva é assim mesmo: vai e vem sem nenhuma compaixão. Tantos reclamam dela na cidade, outros tantos a desejam no sertão. Mas ela, indiferente, não se compadece. Aparece e desaparece onde e quando quer. Não se preocupa em agradar a gente. Seja criança, idoso, homem ou mulher.
Fazia frio. Muito frio. À cama, cobertores e lençóis brigavam por mim. Travesseiros disputavam minha presença entre eles, numa relação conflituosa sem precedentes. Era - a cama - a arena onde se disputava calor, amor, aconchego, sonhos e outras tantas coisas do dormir. Era - o corpo - desejado pela cama, num desejo que se recusava a sumir.
Apenas eu e ela não estávamos lá. Eu estava. Ela, não. Daí, nenhum calor se produzia. Nenhum amor se perfazia. Nenhum aconchego se trocava. Nenhum sonho se realizava. Nenhum sono vinha. Não havia dormir. Havia insônia. Uma madrugada inteira de despertares. E a chuva, lá fora, não apenas observava.
A chuva tentava se comunicar. Comigo. A janela, entreaberta, recebia sussurros de seus pingos, que insistentemente caiam dentro de meu quarto. Uma ou outra goteira tecia frases que eu não podia compreender. O vento trazia o cheiro de terra molhada que me falava, falava, falava... Mas eu não entendia nada, nada, nada...
Eu me perguntava se o outono tinha algo a ver com isso. Ou se eram apenas recados do inverno que havia em mim. Verão e primavera eram estações tropicais demais para o que estava sentindo. Se eu concordasse com a poesia que havia nelas, eu estaria mentindo. Havia uma quinta estação. E eu a experimentava a cada noite que, naquele quarto, com aquela chuva, eu passava.
Só quem não passava era a chuva. E ela continuaria a chover como chuva porque era de sua natureza precipitar-se sobre a terra. Como os homens caem sobre suas camas. Algumas, com boas companhias; outras, vazias. Assim era a chuva lá fora. Falava comigo e eu não entendia. Talvez por eu saber o que ela queria dizer.
Talvez, só talvez, ao menos uma vez, eu a tenha compreendido. Escutado, respondido. Talvez nosso diálogo tenha sido proferido. Mas, talvez tenha sido melhor nos calarmos. Aceitar o castigo. Chuvas e homens não podem conviver em paz completa. A qualquer momento, um dos dois há de parar de cair. E, nesse momento, deve seguir em frente.
Porque é o certo a fazer.
Porque sempre haverá uma nova estação.

(Guilherme Ramos, 02/05/2014, 2h40.)

Imagem: Google.
quinta-feira, 1 de maio de 2014 0 comentários

Cidadão Poesia


Ao conhecer o belo projeto Papel no Varal,
Qualquer ser humano dotado de sentimentos
Vai se surpreender com a beleza do sarau,
Vai se envolver com tão mágicos momentos.

A Lumeeiro Cultural, hoje, faz cinco anos.
Nesse tempo, deu sangue, intelecto e suor.
Isso, talvez não estivesse em seus planos,
Mas fez de Maceió uma cidade bem melhor.

Discutiu, declamou; quem viu, se encantou.
Em todos esses anos bem passados, eu voo.
E vou me tornando poeta-sonhador-artista.

A poesia está no ar! E pendurada em varais.
Respiro poesia por cinco anos. Quero mais!
Ser cidadão-poesia num voo a perder de vista.

[Parabéns, Lumeeiro Cultural, pelas aulas de cidadania. Cinco anos ensinando alagoanos a serem cidadãos-poesia. Guilherme Ramos, 29/04/2014, 10h52.]

É, minha gente! Muito honrado por essa premiação! É sempre bom ser reconhecido. Foi uma delícia participar. Pena que não pude comparecer ao "Papel no Varal" e rever @s amig@s tod@s... Mas já estou me organizando para o próximo sarau!!!
domingo, 27 de abril de 2014 0 comentários

O que Dizem (Sobre Mim)


Disseram que eu estava morto. Mas eu não me sinto morto. Mortos são os que me cercam, envoltos em sua nuvem de descasos.
Disseram que eu parei no tempo. Mas eu não parei no tempo. Eu apenas reservei um momento para observar ao meu redor. Às incoerências que me cercam e me cegam, às vezes me atrasando mais e mais, sem chance de reverter o processo.
Disseram que eu nada tinha a dizer. Mas como falar algo, se os outros nunca param de falar? Fala-se em demasia. Diz-se pouco. Expressa-se demais. Entende-se de menos. Esse mundo desordeiro me assusta. Sou apenas eu. E nada mais.
Disseram que eu sonho demais. Sonhar é necessidade básica. Como respirar. Como comer. Como dormir. Como beber. Água. Sobrevivência sobre vivência. O que mais poderia querer? Eu só quero ser feliz. Nem que seja por um triz.
Disseram que eu nada tinha a dizer. Eu me calei. Para quem mais questionar? Meu silêncio fez-se tão alto que incomodou os incautos. Disse até mais do que eu poderia querer. Disse sem ter dito. Fiz-me ser entendido - o que foi bem melhor.
Disseram-me que eu era um tolo. E sou. Tolo por permitir que me julguem tolo. Julgar-me? Por quê? Para quê? Julgar é um direito dos que sabem o que fazer com as provas. Mas, provavelmente, quem me falou tamanha bobagem nada tinha de sábio. E, tão pouco, o que fazer com fatos.
Disseram-me que eu não era nada. E nada sou. Mas sou mais do que podem imaginar. Sou o que sou. E isso me faz diferente. Único. Exclusivo. Eu mesmo.
Disseram-me. Uma porção de coisas. Mas nada me falaram. Em nada me completaram. Apenas me partiram. Em vários pedaços, por causa do que viviam dizendo. E eu, aqui, frustrado, esqueci que estava vivendo. Isso, sim, é mais importante.
Disseram-me que estavam errados. Pediram desculpas. Eu aceitei. Porque nada do que eu fiz - ou faço - pode me dar a absoluta certeza de que estou certo ou errado. Viver é o grande desafio. Certo ou errado, é preciso viver mais. Melhor. Sempre. O resto é piada. Sem graça, nem cabimento.
Disseram. Disseram. Disseram. E não falaram. Falaram, falaram, falaram. E não foi pouco. Escapei por pouco. É bom ser surdo de opiniões. Alheias. Ter a sua sempre é mais vantajoso do que emprenhar pelos ouvidos. Ser sua própria opinião é o GRANDE segredo. Da vida.
Porque disseram. E repetiram. Que eu estava morto. Mas a vida é minha. E quem sabe dela sou eu. Eu estou vivo. Independentemente do que dizem ou deixam de dizer.
Sim, eu estou bem. E você? Também?

(Guilherme Ramos, 26/04/2014, 2h49.)
Imagem: Google.
sexta-feira, 18 de abril de 2014 1 comentários

Esquece esse Fantasma que te Assombra


Esquece esse fantasma que te assombra.
Pode ser um desejo,
Um objeto,
Uma pessoa,
Uma lembrança,
Ou você mesmo.
Esquece esse fantasma que te assombra.
Porque ele não vai ajudar em nada.
Vai atrapalhar, incomodar,
Fazer entristecer,
Fazer chorar,
Enfim...
Esquece esse fantasma que te assombra.
Porque fantasmas existem.
E nos cercam.
Mas tem a pós-vida deles.
Nada (mais) temos a ver com eles.
Esquece esse fantasma que te assombra.
Fantasmas são a prova cabal
De que existe vida após a morte.
A “nossa” vida.
A “morte” deles.
Dos fantasmas.
Esquece esse fantasma que te assombra.
Se estamos vivos, devemos viver.
Bem.
Mais.
Além.
Amém!
Ah!
E amem.
(Também...)

(Guilherme Ramos, 18/04/2014, 15h14.)

Imagem: Google.
terça-feira, 15 de abril de 2014 0 comentários

Composição


E foi assim:
Ele compôs uma melodia para ela.
Pelo amor que sentia.
Pela falta que ela fazia.
Pelas lembranças que surgiam.
Por ele.
Por ela.
Pelos dois.
Eram acordes maiores.
Um ou outro acidente.
Como foram eles, em momentos atrozes.
Casal difícil.
Tão iguais, de tão diferentes.
Tão tristes, mesmo tão sorridentes.
Mas o amor não se compõe tão simplesmente.
Ele se cria, se concebe, de maneira exigente.
E assim foi:
DÓ. De SI. Do que sentia.
LÁ, nada mais podia fazer.
Sem ela, DOrmir ficou impossível.
REfez MIlhares de vezes sua partitura,
Até que a SOLidão se apossou de seu coração,
FAzendo de sua composição,
Uma mera improvisação.
E sozinho, o solo se fez.
Na escala certa,
No andamento certo,
Num ritmo frenético,
Mas faltou harmonia.
E, num dado momento,
O tom não era mais o mesmo.
O arpegio não convenceu.
A melodia perdeu a expressão.
Ritmo? Nenhum. Foi o fim.
... Fim da relação.
Partido, o coração buscou socorro.
Em outras inspirações.
Mas havia apenas pausas.
Silêncios extremos,
Meras palavras.
O som, o timbre, a essa altura,
Não justificavam a freqüência
Com que ela aparecia e desaparecia.
Em seu coração.
Uma partitura de solidão.
Ela...
Sua única,
Exclusiva,
Verdadeira...
Composição.
Da Capo al fine.


(Guilherme Ramos, 15/04/2014, 00h56.)
quarta-feira, 9 de abril de 2014 0 comentários

Seria Tão Fácil


Seria tão fácil, ao conhecer você, poder dizer tudo o que senti de imediato. Que nem precisou do mínimo contato, para me entorpecer.

Seria tão fácil, ao conhecer você, ficar ao seu lado, sorrindo com suas palavras engraçadas, frases bem elaboradas. Seria um simples prazer.

Seria tão fácil, ao conhecer você, lembrar que existe vida após o fim de um relacionamento - seja namoro ou casamento. Existe o fim do fim. E se chama recomeço. Sim!

Seria tão fácil, ao conhecer você, poder ser mais do que um ombro amigo, pois com um coração em conflito, com ele próprio, não nos é permitido viver.

Seria tão fácil, ao conhecer você, querer chorar, querer sorrir, querer viver mais uma vez, mais de uma vez, sem pensar em mais nada. Apenas viver, viver, viver, viver...

Seria tão fácil, ao conhecer você, aprender a me conhecer também. E me apresentar para mim, logo após me apresentar para você. 

Seria tão fácil, ao conhecer você, fazer do oxigênio, poesia. Porque a vida, nossa vida, isso mereceria.

Seria tão fácil, ao conhecer você, achar que a rotina é mera questão de retina. E que poderíamos dar a volta por cima. Porque queremos. Podemos. Merecemos.

Seria tão fácil, ao conhecer você, apenas me aproximar com uma carta escrita à mão. E na outra, o coração, aberto, esperando o amor chegar.

Seria tão fácil, ao conhecer você, parar de sonhar. Sozinho. Ter você ao meu lado, num canto secreto, quentinho, de onde o amor nunca se afastaria.

Seria tão fácil, ao conhecer você, escrever, escrever, escrever, escrever... mas nunca reconhecer que nada do que fosse escrito seria suficientemente bonito para lhe descrever.

Seria tão fácil, ao conhecer você, apenas conhecer você. Qualidades e defeitos. Mas, você. Porque assim é que tem que ser.

Seria tão fácil. Seria. Fácil. Como nunca costuma ser.

(Guilherme Ramos, 09/04/2014, 16h24. Inspirado no vídeo e em outras "coisinhas" mais... Rssss...)
domingo, 6 de abril de 2014 0 comentários

Julgamento(s)


Não me julgue apático. 
Ou antipático. 
Ou, ainda, antiprático. 
Mas algumas coisas precisam ser ditas para meu coração poder bater em paz. 
Para a minha mente poder pensar em paz. 
Para o meu corpo (e alma) poder – um dia – descansar em paz:
Não adianta você ser justo. Alguns o julgarão injusto.
Não adianta você ser altruísta. Alguns o julgarão egoísta.
Não adianta você ser romântico. Alguns o julgarão tolo.
Não adianta você ser honesto. Alguns o julgarão idiota.
Não adianta você ser sincero. Alguns o julgarão insensível.
Não adianta você ser feliz. Alguns o julgarão falso.
Não adianta você ser competente. Alguns o julgarão incapaz.
Não adianta você ser responsável. Alguns o julgarão irresponsável.
Não adianta você ser inocente. Alguns o julgarão culpado.
Não adianta você ser um bom homem. Alguns o julgarão igual aos outros.
Então:
Seja justo. Mesmo que o julguem injusto.
Seja altruísta. Mesmo que o julguem egoísta.
Seja romântico. Mesmo que o julguem tolo.
Seja honesto. Mesmo que o julguem idiota.
Seja sincero. Mesmo que o julguem insensível.
Seja feliz. Mesmo que o julguem falso. 
Seja competente. Mesmo que o julguem incapaz.
Seja responsável. Mesmo que o julguem irresponsável.
Seja inocente. Mesmo que o julguem culpado.
Seja um bom homem. Mesmo que o julguem igual aos outros.
Porque:
Ser justo não agradará a todos, mas ajudará quem for inocente.
Ser inocente não agradará a todos, mas ajudará quem for romântico.
Ser romântico não agradará a todos, mas ajudará quem for feliz.
Ser feliz não agradará a todos, mas ajudará quem for um bom homem.
Ser um bom homem não agradará a todos, mas ajudará quem for honesto.
Ser honesto não agradará a todos, mas ajudará quem for sincero.
Ser sincero não agradará a todos, mas ajudará quem for competente.
Ser competente não agradará a todos, mas ajudará quem for responsável.
Ser responsável não agradará a todos, mas ajudará quem for altruísta.
Ser altruísta não agradará a todos, mas ajudará a todos. 
Sendo tudo isso, independentemente de qualquer coisa, você poderá se orgulhar de ser você mesmo.
Especial e único. Como sempre deveria ser. 
Não acredite em tudo o que dizem sobre você. 
Não acredite em tudo o que não dizem sobre você. 
Quem sabe de sua vida é você.
Preocupe-se apenas em ser feliz.
De uma maneira ou de outra, os outros também estão fazendo a mesma coisa.
Mas alguns precisam fazer você desacreditar nisso para, só então, serem felizes.
Esses merecem não o seu desprezo, mas a sua ajuda:
Sendo justo.
Sendo altruísta.
Sendo romântico.
Sendo honesto.
Sendo sincero.
Sendo feliz.
Sendo competente.
Sendo responsável.
Sendo inocente.
Sendo um bom homem.
Não se julgue apático. 
Ou antipático. 
Ou, ainda, antiprático. 
Mas algumas coisas precisavam ser ditas para seu coração poder bater em paz. 
Para a sua mente poder pensar em paz. 
Para o seu corpo (e alma) poder – um dia – descansar em paz.

(Guilherme Ramos, 06/04/2014, 23h44.)
Imagem: Google.
quinta-feira, 20 de março de 2014 0 comentários

Amor-Produto


Estou precisando amar de novo. Mas aquele amor que tudo vale, tudo faz e tudo consegue. Não esse sentimento-produto que vendem nas lojas de conveniência. Esse tem validade curta, possui estabilizantes, acidulantes, corantes e substâncias nocivas não só ao corpo, mas também à mente, à alma e às emoções.

Preciso de um amor natural. Homeopático. Porque de amor alopático, antipático, antiprático, o mundo está cheio. Cansei de consumir amores-outdoors, amores-revistas, amores-reportagens, amores-entrevistas, amores-fachadas, amores-desamores, amores-sem-amores, amores-pagos, amores-tragos, amores-goles, amores-delivery, amores-viciosos, amores-não-amores, amores-manipuladores, amores-e-suas-dores. Enfim, tudo que há de maior demanda e preço baixo, sem a menor intenção de qualidade ao consumidor.

Mas quem quer servir amor? Consumir amor? Degustar amor? Digerir amor? O amor-produto só me deixa em luto, cada vez que passa por mim. É atraente, beneficente, benevolente, mas pode ser incoerente, indecente e indolente. Não é amor. É até um falso-fazer-amor. Manufatura sentimental resultante de trabalho escravo. Onde apenas um lado se beneficia e o outro só se humilha em prol da própria subsistência.

Nesse mercado agoniante e agonizante, lucra o empresário-amante que domina o jogo. A sedução se faz como um comercial de bebida. Como uma propaganda de comida. E atrai mais e mais seguidores nas redes sociais. Curtir alguém, compartilhar alguém, comentar sobre alguém é mais importante que amar alguém. Por que amor virou mercadoria. De péssima qualidade. Quem quer comprar algo que se desvaloriza com o passar da idade?

Quando eu era criança, amar era o objetivo de mais da metade do mundo. Mas as crianças cresceram e não querem mais esse brinquedo. Querem ser adolescentes da infância e adultos na adolescência. Suas vidas tem pressa. Sua pressa tem sede. Tem fome. Tem desejo. De consumir uns aos outros como a si mesmos. Sem sobrar nada para nenhum dos envolvidos.

Houve um tempo que amar era a coisa mais importante do mundo. Nesse tempo, o amor era artesanal. Cada peça era feita manualmente, por pessoas capacitadas pelo notório saber. Mestres do amor e do amar, distribuíam suas obras de arte sem restrições e, a cada nova venda, doavam seus lucros para os mais pobres. O que era uma atitude das mais nobres.

Assim era o amor em tempos de glória. Uma glória esquecida e coberta por anúncios de jornais – que vendem corpos e almas a prestação e cartões de crédito. O financiamento do corpo tornou-se a mais nova moeda de troca. Troca-se um não-sentimento pelo não-comprometimento. Troca-se um breve momento, por lembranças falsas e fúteis do desejo realizado apenas por realizar. Um transar por transar.

Em suma: o amor-moeda desvaloriza e a inflação-solidão domina amantes do primeiro ao terceiro mundo. Porque – ninguém se engane – ninguém vive sem amor. Tal qual água, direto da fonte, o amor é livre para ser provado. Conscientemente. Consumido predatoriamente, aleatoriamente, discriminadamente, qualquer poça, poço, oásis, rio, seca. A vida vira deserto. As cidades-relacionamentos construídas ao seu redor, são abandonadas. Viram cidades fantasmas. Seus cidadãos deixam de existir, por mais que estejam vivos. Tornam-se nômades deles mesmos.

Haverá um dia que o êxodo emocional será eminente. Ninguém nutrirá sentimentos, para não sofrer. Virão geadas, tempestades e outras intempéries sentimentais até sua extinção antinatural. Os hormônios artificiais acabarão com a libido e tudo não passará de teorias científicas desacreditadas pela ciência.

O amor deixará, finalmente, de ser produto para ser apenas teoria. Mas pouco aceita na academia. O amor será objeto de estudo. Apenas isso. Até que nem isso. O amor será apenas uma palavra. Quatro letras. Sem nenhum significado. O amor será uma lenda, uma história, um pecado. Uma fruta. Proibida. À disposição. Uma tentação. De proporções bíblicas.

Até que alguém precise amar de novo...


(Guilherme Ramos, 20/03/2014, 01h08.)

Imagem: Google.
sábado, 8 de março de 2014 0 comentários

Feliz ANO TODO DA MULHER!



Então, Feliz ANO TODO DA MULHER!
Porque são 365 dias de glórias e conquistas. 
E vocês (apenas) merecem.

Minha singela homenagem às amadas-amigas...
Sem me esquecer, também, das desconhecidas!


(Guilherme Ramos, 08/03/2014, 10h35.)
Imagem: Google.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 0 comentários

Último Primeiro Beijo


Uma parceria que aconteceu meio sem querer:

1) Renatinha posta uma foto (linda!);
2) Eu, de rompante, faço a letra em segundos,
3) Aristeu aparece com uma arte deliciosa, querendo compartilhar.

Agora, eu pergunto:

QUEM SOU EU PARA NEGAR????? Rssss...

4) Só falta a Renata musicar.

Será que sai samba?
Rock? Bossa? MPB?
O tempo dirá.
Quem pode saber?
Pode pode sair tudo,
Pode não sair nada.
Mas de uma coisa, tenho certeza:
Não vai sair lambada!
(Kkkkkkkkkkkkkkkkkk...)

Ok, ok. Parei. Rsssss...

Créditos aos devidos créditos (por ordem de criação... Rsssss...):

Foto:
Renata Peixoto

Letra:
Guilherme Ramos

Arte:
Aristeu Neto

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Laura: 2 anos

Olá, amig@s!

Hoje, 28/02/2014, 5h21, Laura, minha filha caçula, completou 2 anos de vida!

Muita coisa aconteceu desde 2012, quando ela nasceu.

Mas o que fica? Amor, amor, amor e amor.

Definitivamente, Laura Ramos:

EU TE AMO!

Amor, verdadeiro, é esse aqui. Feliz aniversário, Laurinha!

Seu pai,

Orgulhoso e cada vez mais apaixonado,

Guilherme Ramos.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 0 comentários

Companhia


Querida amiga que passa pela minha porta:
Não arranque as flores do pé de jasmim.
Estão do lado de fora; sei que você gosta,
Mas, mesmo assim, ainda pertencem a mim.

Poupe também rosas, violetas, margaridas,
Orquídeas, lírios, cravos e até os girassóis.
Todas me são companhias antigas, queridas,
Que eu partilho a beleza para todos nós.

Mas não lhe autorizo roubar sua presença,
Visto que não faço isso com as de ninguém.
Sente-se sozinha? Tão repleta de ausência?

Poupe as flores, que não tem culpa nenhuma.
Que tal deixá-las de lado e procurar alguém?
Eu faço café. Ou chá. E te mostro uma a uma.

(Ayane Borges e Guilherme Ramos, 19/02/2014, 11h54.)
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 0 comentários

A Você, Que Me Achar...


A você, que me achar:

Lembre-se de que eu não me perdi. Fui apenas descartado por mim mesmo, num momento de forte fraqueza. Não sou assim o tempo todo, como você também não o é. Encare-me como um outro eu, seu, meu, nosso, pronto para novidades em par, mesmo nos dias ímpares, sejam eles de segunda a sexta-feira ou no fim de semana.

Lembre-se de que você também já esteve assim, sem rumo, sem idéias, sem vontades, sem razão nenhuma para continuar. Mas, se continuou, serviu de exemplo para outras pessoas que, inspiradas em seus atos, alcançaram a vitória. Você foi tudo o que precisavam para serem melhores que ontem. Iguais a hoje. Inimagináveis amanhã.

Lembre-se de que estou aberto para o amor. Não o amor sexual apenas. Ele também. Não posso negar-lhe a importância. Mas após o gozo, esse amor “sonolenta-se” e dorme. Profundamente. Sonhando com mais. Eu sou o amor que sonha e realiza assim que pode, ao seu lado. Sou o amor que inspira o poeta, o enamorado, o ser humano em si, com suas falhas e êxitos.

Lembre-se de que não me permito achar. Porque se subtende que me perdi. E, repito, não me perdi. Eu apenas me permiti vagar por onde não se vai, para poder encontrar quem não se espera. Porque esperar, sugere a chegada de algo ou de alguém. Mas também pode ser excesso de paciência – E isso já não tenho tanto. Para o meu e para o seu espanto.

Lembre-se de que continuo eu mesmo. Qualidades e defeitos. Tudo. Mas não o mesmo. Mudo. O tempo todo. Todo o tempo. E isso vai além, muito além de qualquer desavença. Essa é a minha crença. Eu sigo reto. O resto é pretérito. Esquecido. Aquecido é o presente. Meu sangue. Meu coração ardente. Sempre em frente.

Lembre-se de que tal qual livros, temos muitas histórias. As nossas, as minhas, as suas. Mas, poucas foram escolhidas para serem vividas. Lembradas. Relembradas. Revividas. Algumas foram minhas primeiras leituras, outras, minhas finais. No meio, toda uma história de histórias, que acontecem até hoje, enquanto vivo-escrevo.

Lembre-se de que há sinais de novos tempos. De antes e depois. De uma vida de leituras brandas, escritas nervosas e algo mais. Que ainda está por vir. Sempre haverá algo por vir. Mas, normalmente, não será exatamente como idealizamos. Deixemos de neuras e aproveitemos a criatividade (de humor duvidoso) da imprevisibilidade.

E obrigado por se lembrar. De mim.

Eu, quieto em minha cama; você, inquieta na sua...


(Guilherme Ramos, 30/01/2014, 22h55.)
 
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