terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dizem Por Aí


Dizem por aí que eu estou querendo me apaixonar. Dizem. Por aí. Não digo que não. Não finjo. Não. Não nego a oração. A possibilidade de acerto. Da oposição. Mas nem sempre acerto o alvo. Mudo de opinião. É difícil manter-se firme, quando as paredes amolecem e recaem sobre seus ombros. Quando seus sonhos desmoronam e fingem-se pesadelos. Que você bem sabe que não são. Quando lhe pedem para amar, porque são a melhor opção. Mas você não quer não. Como não lhe querem, pela mesma razão. Só se quer quem não se tem como opção.

Dizem por aí, que eu me machuquei. Já. Quem nunca? Machucar-se (e machucar) faz parte da evolução. Descobrir que coração sangra mais do que fígado, mata, mas também regenera. E nunca ninguém morreu de amor. É só papo de atraso. Nem acenda a vela.

Dizem por ai que eu mudei. Pra pior. Pra melhor. Pra nem sei o quê. Mas mudei. Isso é fato. É claro. É caro. É barato. Ninguém fica igual por muito tempo. É irracional. Abstrato. Mudar faz parte do processo. É como ter passe livre para a vida, sem precisar de ingresso. Ir e vir, sem parar. Aqui e ali, ali e aqui, num eterno regresso.

Dizem por aí que eu menti. Que eu decepcionei. Que eu destrui, quase matei. Alguém. A bem da verdade fiz tudo isso e muito mais. Algumas vezes, por ser incapaz de dizer não na hora certa. Ou na hora errada mesmo. Meu silêncio foi pior que a pior ofensa. Não me condenem. Antes admitir um erro e se interessar na sua correção, do que continuar na trilha errada por orgulho, ignorando a razão.

Dizem por aí que eu escrevo para me livrar do peso, do fardo do que já fiz. É. E do que faço. E farei. Não sei. Escrever também é um fardo.  Escreveria, então, para que? Ou faria tudo isso do que me acusam para apenas escrever? Tudo tem um preço. Esse, inclusive, eu até pago pra ver.

Dizem por aí. Muitas coisas. E eu nem aí. Porque dizem por aí que eu sou assim. Exatamente como você me vê e conhece. Não sou diferente. Dizem. Por aí, as coisas são tão diferentes. E eu, na minha diferença, sou mais do que dizem por aí. Porque o que dizem, por aí, não é nem um tantinho assim do jeito que eu sei que sou. Que você sabe que sou. E sou o que soou. O que dizem por aí? Não sei. Se sou...

Ainda sou eu mesmo, mesmo com o que dizem por aí. Não ligue. Tire suas próprias conclusões. Descubra-me. Não se iluda. Com o que dizem por aí. Tudo pode ser a mais absoluta verdade. Ou a mais completa mentira. Mas sempre será o que dizem por aí.

Então, baseado em fatos reais, o que você faz por aí? Chega mais perto. Faça por aqui. Experimenta o que dizem por aí. Mas fica por aqui. Afinal, é sempre bom ter companhia. E é bem melhor ter uma segunda opinião.


(Guilherme Ramos, 27/08/2013, 00h25.)

Imagem: Google.

1 comentários:

Carol Teles disse...

Está ótimo! Pra variar...
E eu concordo com essa coisa de que você escreve para se livrar do peso. Acho que todo escritor escreve com esse pretexto.
É coisa demais na cabeça da gente, e não dá para manter tudo dentro de nós.

bjus

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