segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Atirador, a Pedra e o Rio...

Quando atiramos uma pedra em um rio, ela causa ondulações circulares à água, que tem alcance variável, dependendo da “força” empregada.

Da mesma forma são as resultantes de ações em nossa vida: lançamos palavras e/ou sentimentos (como pedras), que atingem o alvo (caem no rio) e, dessa combinação, surgem os conflitos (ondulações). Isso não ocorre aleatoriamente.

Alguém me disse que – com relação a seus sentimentos – não sabia se a culpa era do atirador, da pedra ou do rio. Que se culpou por muito tempo enquanto atirador para, depois, decidir-se por acusar o seu alvo. Havia suas razões. Não me cabe discutir aqui.

Refleti sobre o meu caso e até achei que a culpa era do atirador ou mesmo da pedra, nunca do rio. Afinal, era apenas um alvo. Sem solução até hoje, apenas “rio” (com o perdão do “trocadilho”). Não percebi que as respostas mudam de um caso para outro; de tempos em tempos. A todo momento.

Certa vez, havia “cumplicidade” entre as partes. Uma espécie de ritual, onde cada lado cumpria seu papel, sua razão de ser. Mas, de repente, sem mais nem menos, o “rio-alvo” secou e virou deserto. A “pedra-sentimento”, agora, era só mais uma na multidão que lotava o fundo do antigo rio. Tornou-se (apenas) – como diria o poeta – “uma pedra no meio do caminho”. Para mim mesmo, um reles “atirador-apaixonado”.

Aprendi. A duras penas. Com o tempo. Não há como aprender de outra forma, mesmo quando alguém lhe explica tudo. É preciso ter cuidado com o que se lança à sorte do destino, porque pode se tornar um obstáculo futuro. Um deserto. E o “alvo” (inicial) pode nem mais existir. Será sempre você. Só e somente só: você. Especial e único.

O meu maior receio é viver eternamente nisso. Num eterno “gostar-desgotar-regostar” e, no fim, nunca ser/estar (com) alguém.

(Guilherme Ramos, 06/07/2009, 21h33)

9 comentários:

Dani disse...

E agora o que eu faço c vc? Continuamos a discutir?Resolvemos o trocadilho? Ou será de devemos continuar a gostar-desgostar-regostar?Até o último dia de nossas vidas....Essa vc me paga rsrsrs
Obrigada Cunhassss!!!!!!!!!!

Luiz Siqueira disse...

Geralmente o problema é descobrir quem somos, as vezes o rio, as vezes a pedra e na maioria das vezes cruel atirador, mas acho que a culpa mesmo é do rio que fica ali parado refletindo quem nós somos enquanto nos atiramos que dizer enquanto lançamos nossas pedras. somos de carne, osso e sofrimento e precisamos lembrar que o outro tambem é assim... nao seria melhor algumas vezes siplesmente mergulhar e deixar as pedras na beira do rio?

parabens veio que texto

Rio disse...

Perfeito...assim são os poetas, tranformam os sentimentos em poesias...

Larissa disse...

Estou confusa. Apaga-se tudo que a pedra fez? Todas as bolinhas e ondulações que ela provocou no rio? Simplesmente desgosta-se? E regosta-se? O atirador vai ser pra sempre sentimento, a pedra vai ser sempre sentimento e o rio vai ser sempre sentimento. E nenhum se finda.

Guilherme Ramos disse...

É uma visão bastante "romantica", a sua, Larissa. Mas atiradores, pedras e rios são mutáveis. Alguns, finitos até. De uma forma ou de outra... Infelizmente.

Tempo. É o que resta. Sempre.

Anônimo disse...

quem sabe vc nao eh nada que se possa comparar com nenhuma das suas opçoes?
GMR não é uma questao de multipla escolha...
é apenas dissertação.
apenas?
nao!
nada que se refere a voce se restringe a ser APENAS alguma coisa.
esta procurando sua felicidade no lugar errado meu amigo...
talvez ela nao esteja em sentir, gostar ou desgostar....
esta em apenas ser! e curtir, as fossas, as palpitaçoes de um coração apaixonado ou seja la o que for cada uma em sua vez, sem pensar muito em quando o sol for nascer...
lembre-se...
vc eh um ser noturno, o mais belo poeta da noite que poderia existir em qualquer geração romantica e nao-romantica...
portanto..se quer um conselho desta jovem que o ama e que o guardou numa viril caixa,
APENAS SEJA!
ATIRADOR, PEDRA OU RIO...
mas nao desista de nenhuma das opções que a vida lhe der...

carol

Flavio Barone disse...

concordo com o que a Carol disse: SEJA.
Isso te da integridade para correr todos os riscos.
O que mais importa quando vc lança a pedra?
O arremesso, o alvo ou as everberações na água?

abraços

Dani_Teles disse...

Tô falando Cunhas .... vai deixar de lançar a pedra? N concorda comigo nem um pouquinho?Já deixei de lançar várias ...hj n faço mais isso...
Saudade!!!!

Cristiana Fonseca disse...

Adorei o texto.
Estou aqui a imaginar o Atirador , a Pedra e o Rio.
Beijos,
Cris

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