sexta-feira, 3 de julho de 2009

Há males que vem para o bem

“Há males que vem para o bem.”

A frase é velha conhecida do (domínio) público. Seu uso, é irrestrito e, por vezes, funciona.

Hoje, eu a utilizo para o fenômeno post mortem Michael Jackson (1958-2009). Ok, ok, ok... Sei que todo mundo está falando nele, mas... não posso deixar de registrar – aqui – uma (curiosa) realidade local.

Não foi apenas o comércio formal de CDs/DVDs que se beneficiou da fatalidade para vender álbuns do astro pop. No Centro de Maceió/AL, os “comerciantes de mídia genérica” tocam e comercializam, em barracas/carrinhos no meio da rua, a MPPB (Música Pra Pular Brasileira) – sonoridade bizarra que a cultura de massa insiste (e consegue) chamar de “música” – forçando-nos a escutar acordes malditos, solos apavorantes e refrões hediondos. Pois não é que após a morte do cantor americano, passou-se a tocar algo que parecia impossível em nossas manhãs e tardes?

“Ben”, “Thriller”, “Billie Jean”, “Human Nature” et all tocam diariamente, insistentemente, desde 26 de junho – meio que desinfetando nosso cotidiano e aliviando a aflição de pessoas como eu que não podem pedir para os ambulantes desligarem seus equipamentos de som (quase trios elétricos), visto que a rua é pública...

Agora, “graças” (ops!) “devido” ao falecimento do cinquentão com síndrome de Peter Pan, eu posso andar na rua mais tranquilo, como se estivesse em algum lugar (um pouco mais) civilizado, por vezes cultural, como um verdadeiro centro de cidade que se preze deveria ser.

Pena que – tenho certeza – daqui há algum tempo, tudo isso desaparecerá, dando lugar ao TOP TREVAS de sempre. Isso me lembra um outro ditado:

“O que é bom, dura pouco.”

A menos que, por alguma "maldição", essa história de morrer – e vender mais e mais discos – vire moda e tenhamos uma maratona multimídia no Céu e na Terra. Já pensou? Ouvir Madonna, Elton John, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque (e tantos outros) no meio da rua? Não que eu deseje a morte de ninguém, mas... é fato:

“Há males que vem para o bem.”

(Guilherme Ramos, 03/07/2009, 22h10)

4 comentários:

contatosimediatos disse...

Gui,

Como sempre,muito bem humorado!
Realmente isso é um fato, morreu uma personalidade pública, automaticamente o mercado responde com promessas de lucro fácil ( e isso vai da barraquinha do “pirata” até as multi- maxi- mega gravadoras)...

O grande problema que enxergo (além de perdermos personalidades queridas i importante, lógico) é que se os bons artistas precisarem morrer para a maioria de população mudar seus hábitos culturais, estaremos FRITOS, pois muito provavelmente imergiremos numa pobreza ainda maior!

Não sou do tipo saudosista, mas reconheço que a oportunidade que tivemos ( eu, você e todos que viveram a efervescência dos anos 80, por exemplo) hoje é pra poucos e que o capitalismo, a promessa do lucro fácil, corrompeu também a arte... a música de verdade é privilégio de quem vai ao encontro dela por iniciativas próprias (desviando das tais barraquinhas que você bem citou, com certeza)!

Um beijo e “vida longa aos nossos grandes ídolos”... pelo amor dos meus e dos seus ouvidos também! (risos)

Jr.

contatosimediatos disse...

Ah, leia-se: "além de perdermos personalidades queridas e importantes, lógico", pelo amor de Deus!!!! risos...

Silvania disse...

Pois é,
minhas caminhadas no centro agora estão embaladas por Billie Jean...passei uns dias sem acreditar na trágica notícia mas..Agora são memórias...e o youtube cheio de vídeos ótimos..
Hugs..and kisses

Diego Fonseca disse...

Muito bom!

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