domingo, 22 de julho de 2012

Contos que não se contam (parte 5)



5.

– Sssssssssiga em frente... – Aquela frase se repetia. 

Isso não iria acabar bem. Eu tinha certeza. Ou quase certeza. À medida que adentrava aquele cômodo úmido, frio, os odores da morte sumiam. Deram lugar ao quase agradável fedor de mofo, lodo e coisas gosmentas. Mas minha vontade era de continuar. E ficar lá para sempre. Porque sabia que lá era meu lugar. Pessoas como eu não deveriam se misturar aos vivos. Deveriam conviver com os mortos. No além-mundo. A terra era para os que sofrem. 

Então, lembrei de minha missão na casa. E nada poderia me afastar dela. Tomei controle da situação e, antes de entrar no quarto, foquei-me em meu “Santuário Astral”. 

A morte não é apenas um estado físico-espiritual, mas um continente inteiro de descobertas. Seus limites nos parecem horrorosos, assustadores, mas tudo por uma questão de estratégia. Para afastar os curiosos... Afinal, se todos soubessem como era o tal pesquisado “outro lado”, ninguém ficaria na Terra...

Atravessei, enfim, o véu da desconfiança e cheguei ao meu objetivo: Ters Mori, meu verdadeiro lar. Onde minhas forças são inexplicáveis, meus sentidos inimagináveis e meu conhecimento insuperável. Mas meus inimigos... implacáveis.

Eu tinha pouco tempo por lá. Logo apareceriam oponentes e eu estava em minoria. Normalmente são seiscentos e sessenta e seis oponentes por vez. Um desafio proporcional ao nosso poder. Mas não tinha tempo para batalhas. Estava numa missão de limpeza e usar as sombras ao meu favor era uma questão de segurança. Isso teria um preço. Tal “invisibilidade” para as trevas na Terra poderia ser minha ruína. Afinal, há um Mal bem maior onde me encontro. Chama-se “Voragem”. E, como o próprio nome já diz, devora tudo e todos que estiverem à frente. Voragens são como tubarões gigantes num oceano de sangue e mortos. Um banquete eterno. E eu seria a carne mais fresca. Aliás, a única carne, já que o ambiente é naturalmente, povoado por almas.

Enquanto me esgueirava na projeção do que seria a casa, para me aproximar do local onde deveriam estar os corpos do casal e da criança, senti algo se aproximando... Sutil, esperto, mas não tanto quanto eu. Fingi, no entanto, não percebê-lo, para ver o que estava planejando...

E o tudo mais... só foi mais... escuridão. 

(Guilherme Ramos, 22/07/2012, 11h31. Para minha prima Paty, a quinta parte... Antes que ela me mate! Rsss...)

2 comentários:

Carol disse...

E a curiosidade aumentandooooo
ahauhauhauahuahua

claude disse...

bem legal! me fez lembrar hellblazer, acho q pela linguagem e pelo tema... ^^

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